Continuando…

Papai, papai… meu papai chegou!!! Essas foram as palavras que ouvimos enquanto duas pequeninas bonecas se jogavam nos braços do Du. Eu não consegui ter reação, fiquei paralisada, não fiz nada além de me abaixar e beijar aqueles rostinhos lindos com aqueles olhinhos brilhantes. Segundo a psicóloga, elas assim que souberam que iríamos buscá-las começaram a colocar suas roupinhas em sacolas de supermercado porque estavam vindo prá Curitiba morar na nova casa com o papai e a mamãe! Foi amor á primeira vista, ao primeiro toque, ao primeiro olhar… sininhos tocaram, borboletas dançaram e fadinhas rodopiaram com seus pózinhos de pirlimpimpim… esse amor já existia dentro de nós e com a realidade de estar com elas, esse amor só cresceu e floresceu. Ficamos quase uma hora no escritório, assinamos papéis, levamos um documento de “desabrigamento”, assinado pelo juiz, nos autorizando a tirá-las do abrigo naquele dia, conversamos com a psicóloga e com a AS do projeto e por fim fomos até o abrigo buscar as malas delas. Fomos no carro da psicóloga e as duas grudadas no papai, cantando e gritando no carro, ao chegarmos no abrigo não vimos ninguém além das duas cuidadoras delas, haviam crianças nos quartos mas permaneceram lá até nossa saída, as meninas correram buscar suas malinhas e se despedir das tias, foi um momento de emoção prá nós, pois as tias choraram mas as meninas não se abalaram muito. Despediram-se e entramos no carro, aonde voltaríamos ao escritório prá chamarmos um táxi e irmos pro hotel, a hora que embarcamos no táxi, só nós quatro foi o momento que a minha ficha caiu, ali eu vi que tudo era verdade e que elas eram nossas! Me segurei prá não chorar e tive a certeza de que as nossas filhas eram elas! Como eu sempre contei aqui, eu li muito, me informei, ouvi algumas palestras e depoimentos e o foco principal é o pai, a criança abrigada geralmente sente muita carência de pai e inconcientemente sente a rejeição da genitora, portanto é super comum e normal que nos primeiros dias a criança ou as crianças fiquem mais apegadas com o pai. Eu comentei muitas vezes com o Du sobre isso e ele sempre me disse que cada caso é um caso e que eu estava enganada… tivemos a certeza de que eu não me enganei na entrada do escritório… elas estavam encantadas com o papai, só ele importava e só ele que elas queriam. Andar na rua era só de mãos dadas com ele, comida era o papai que tinha que servir, beijo no papai de vontade própria, papai fofinho, papai… papai… papai… O Du estava encantado e não sabia dizer NÃO prá nada e foi aí que eu vi que se deixássemos elas dominar essas primeiras horas, nunca mais conseguiríamos botar ordem na casa, então como ele era o papai querido, eu virei a mamãe chata, a mamãe que num momento de briga das duas por algo que elas não queriam dividir, escondeu e não deixou nenhuma brincar com o objeto, virei a mãe chata que obriga a tomar banho e ir dormir quando eu mandava, a mãe chata que não deixava correr ou gritar no corredor do hotel. Os dois primeiros dias eu não existia prá elas, só prá dar banho e arrumar roupa prá vestir, me chamavam de tia a toda hora e o Du tinha que falar prá uma delas dar as mãos prá mim quando estávamos na rua. No segundo dia ele veio conversar comigo, estava preocupado com a atitude delas e comigo também, afinal eu não importava muito prá elas. Eu respondi que estava achando o máximo ver ele ser o super pai, se desdobrando prá atender as duas e que logo essa fase iria passar e elas iriam me aceitar, que eu estava aproveitando prá descansar e realmente era isso que eu estava sentindo, nem em meus sonhos mais otimistas eu imaginava que ele seria um pai tão atencioso como ele foi desde o primeiro minuto com elas, nunca imaginei… ele deu banho, trocou de roupa, colocou prá dormir, essas coisas que precisamos implorar prá eles ajudarem, mas o Du fez tudo sozinho, não pedi nenhuma vez!! Quanto ao comportamento das meninas, eu até achei ótimo que fosse comigo, pois o Du não suportaria essa atitude delas, acho que seria demais prá ele e isso deixaria uma mágoa enorme e incurável nele. Elas nunca o chamaram de tio, desde o primeiro contato foi Papai e pronto!

Nós fomos buscar as meninas na segunda, dia 04/11 e voltaríamos na quarta 06/11, então na terça feira não fizemos muita coisa, fiquei meio receosa de estar na cidade delas passeando, alguém da família ver, sei lá… fomos até a praia que ficava em frente ao hotel e depois fomos prá piscina, á noite fomos andar pela rua, conhecer um pouco do lugar e jantar, mas fiquei aliviada quando voltamos ao hotel, parece que tinha parado de respirar. Já na quarta teríamos que deixar o hotel até o meio dia e a passagem estava marcada para 14:30h e seria a primeira vez que elas voariam de avião, seria a primeira viagem delas, seria a primeira vez de tantas primeiras vezes que elas teriam e nós também… 

Continuando… Os dias seguintes.

Como contei no post anterior, no dia 31/10 saiu a guarda provisória, tudo certo prá irmos buscar nossas bonecas! Do dia 02 prá o dia 03/11 dormi apenas duas horas, não aguentava a ansiedade e decidi só ir deitar quando estivesse caindo de sono e foi mais ou menos assim, fui deitar ás 3h e acordei ás 5h prá me arrumar prá irmos pro aeroporto, pois nosso vôo saía ás 9h. Tudo arrumado, pronto, verificado, organizado e enfim estávamos indo ao encontro delas, mas a ficha ainda não tinha caído parecia que era só uma viagem de férias ou que algo poderia dar errado. Partimos rumo ao Nordeste, estado que conheci em 2012 e me apaixonei, seu povo, seu amor, sua simpatia, sua alegria, suas cores, seu sol, seu calor humano, não poderia ser diferente, agora eu teria dois pedacinhos do paraíso comigo!!! Chegaríamos ao Japão mas não ao Nordeste, meu Deus que viagem longa, ficamos parados por quase três horas no Rio de Janeiro, só então seguiríamos viagem até minha terrinha abençoada! Desembarcamos ás 15:30 e fomos direto ao hotel, não consegui ver, olhar, curtir a cidade, tamanha minha ansiedade! Meu Deus, nós estávamos ali na cidade das nossas filhas, sabe-se lá se estávamos ao lado delas ou do outro lado da cidade mas estávamos ali e nessa noite eu consegui dormir, deitamos por volta de meia noite e acordamos ás sete horas, assim tomaríamos café e resolveríamos a parte burocrática. Passava das oito horas quando liguei no fórum e combinei com a AS de estarmos entre dez e onze horas prá assinarmos a papelada, em seguida liguei pro abrigo e a psicóloga me pediu prá estarmos no escritório ás 14 horas, assim conversaríamos e então ela nos levaria ao abrigo prá buscar as meninas. No fórum tudo correu dentro do esperado, a AS muito simpática, nos explicou tudo e mais um pouco, assinamos os papéis e fomos prá um Shopping, prá passarmos tempo, pois nem era meio dia ainda e tínhamos duas longas horas prá chegarmos até as nossas filhas. Passeamos no shopping e almoçamos, uma comida regional do sertão, deliciosa e eu queria saber mais sobre o que elas gostavam de comer, assim eu poderia tentar fazer quando chegasse aqui, por volta de 13:30 saímos do shopping rumo ao escritório do abrigo e eu fumei meu último cigarro, pois havia prometido que assim que meus filhos chegassem eu parava de fumar e não poderia ser diferente! Pegamos um táxi e o Du forneceu o endereço, não sei dizer como chegamos, que caminho fizemos, o que eu vi ou deixei de ver, fomos os dois em silêncio, de mãos dadas e um olhar cúmplice, apenas isso e as batidas do coração fazendo tum tum cada vez mais alto e forte. Paramos no endereço, uma casa normal, sem maior alarde… com um muro de vidro e grades de ferro nas portas, batemos na campainha e uma mulher veio abrir a porta, quando ela abriu e eu entrei, tinha uma carinha conhecida ao lado da mulher me olhando, olhinhos brilhantes e curiosos, eu fiquei sem reação, paralisei, então o Du entrou e ouvimos: Papai, Papai!!!! As duas se jogaram em seus braços e ali ficaram… continua…

Os dias seguintes…

Olááááá quanto tempo! Não estou tendo mais todo aquele tempo disponível de antigamente, mas em compensação tenho duas princesas chamando Mamãe, mamãe a cada dois segundos. Aos poucos vou atualizando e contando aqui as aventuras, as emoções, as birras e tudo que estamos vivendo nessa realização de sonho.

O dia-a-dia depois que soubemos delas foi complicado, já sabíamos quem eram, já conhecíamos seus rostinhos, suas vozes, mas ainda tinha a incerteza e o medo de que não desse certo, paranóias de mãe mesmo. No primeiro contato S. a mais velha foi logo dizendo: Vc é a Celmara? Vc vai me adotar? Vc é minha mãe? Um bombardeio de perguntas e uma enxurrada de emoções, o Du e a Fer estavam sempre trabalhando então a maioria das vezes só eu falei com elas, o Du gravou um vídeo prá elas e elas ficaram eufóricas com o que o papai mandou, ficaram bem animadas e todos os dias perguntavam se o papai estava trabalhando. Foram dias cheios de esperança, noites sem dormir, cabeça a mil imaginando como seria, mil planos, ansiedade multiplicada por não sei quanto. Agora era real, seríamos pais e nossas filhas já estavam nos esperando, lá naquela terra que tanto amei, terrinha abençoada onde o sol é constante e o povo é sorridente! Enquanto esperávamos a parte burocrática tentávamos controlar a ansiedade decorando o quarto delas, já que não podíamos contar aos quatro ventos e o melhor seria comprar as roupas com elas junto, pois fotos enganam e geralmente todos tem que sair trocando tudo quando eles chegam. A família estava cada dia mais ansiosa e teve dias que recebi entre cinco e seis ligações prá saber das meninas, foi meio estressante mas ao mesmo tempo delicioso, pois saber que todos esperam o mesmo que você e que compartilham sua felicidade é algo maravilhoso. Nesse tempo já havíamos comprado as passagens aéreas e reservado hotel, contávamos com a sorte da guarda provisória sair antes ou enquanto estávamos lá. Viajaríamos dia 03/11 e no dia 31/10 a AS me ligou dizendo que a guarda provisória para fins de adoção tinha saído!!! Meu Deus, tudo dava certo e eu não conseguia acreditar que em alguns dias elas estariam aqui conosco!  Continua no próximo, pois a minha princesa mais nova acordou e tá aqui no meu colo, prometo que se der um tempinho continuo amanhã…  😉

210 Dias de gestação.

Estou publicando no calor da emoção, com o coração disparado, as mãos trêmulas, as pernas bambas e a cabeça completamente tonta. No dia 16 de Outubro de 2013, recebi o tão esperado telefonema, mais precisamente ás 13:10h. Sim, eu serei mãe de duas meninas lindas, duas bonecas, duas princesas!! Uma de 4 e outra de 5 anos. Como a adoção ocorre em segredo de justiça, fui orientada a não contar antes de ir buscá-las, será muito corrido e eu fiz esse post no domingo, 20/10/13, assim quando vocês estiverem lendo, Du e eu estaremos indo ao encontro das nossas filhas! Me perdoem por não compartilhar no dia exato com vocês, mas preciso preservar minhas meninas e meu processo também. Estamos radiantes, felizes e contando os segundos prá tê-las conosco. 

Nunca escondi que faço busca ativa, existem pessoas idôneas que fazem parte disso e realmente é necessário prá dar um lar prá essas crianças! No dia das crianças, estávamos na casa dos meus kunhados em Santa Catarina, uma amiga me perguntou se eu aceitava irmãs negras, claro que eu aceito! Na volta prá casa, meu celular toca e vejo que é da cidade que ela tinha falado sobre as irmãs, mas a abençoada Tim não completou a ligação. Liguei e ninguém sabia quem tinha me ligado, foram dois dias esperando e nada, na terça-feira dia 15/10 eu liguei cedinho na VIJ da cidade e conversei com a AS… fiquei chateada, pois ela me explicou como seria o processo de adaptação e teríamos que ir pelo menos duas vezes até a cidade e permanecer lá por no mínimo 15 dias… a AS ficou de retornar a ligação no outro dia. Na terça á noite, um amigo me perguntou se eu aceitava duas meninas ou se só queria meninos ou casal e disse que só estava lembrando do meu perfil, que não era prá eu me empolgar. Eu respondi que não tinha preferências de sexo, cor, raça, nada… só queria ser mãe de novo. Na quarta-feira 16/10 eu levantei cedo e fui arrumar meu guarda-roupa, pois aquilo estava um caos… ás 10:40hs vi que ele tinha me enviado uma mensagem que precisava falar comigo urgente… foi aí que minha vida começou a mudar! Enquanto isso meu chat pipocava de mensagens de uma amiga nossa em comum, pois ele estava desesperado e contou prá ela e ela ficou desesperada me chamando. Consegui falar com ele e aí veio a esperança e a certeza de que seria minha vez. Imediatamente liguei prá pessoa responsável e ela já foi me explicando tudo, inclusive o estágio de convivência. Mas haviam algumas partes burocráticas e ela ficou de me dizer se elas seriam nossas ou não dentro de dois dias. Desliguei o telefone e corri ligar pro Du prá contar que as duas primeiras meninas com certeza não dariam certo e que havia aparecido mais duas, ele ficou feliz e também achou que essa era nossa hora. Voltei a fazer minhas tarefas domésticas, esperando uma resposta positiva dentro de dois dias, mas me enganei… ás 13:10 meu telefone toca e ali começou a nossa história de amor, nossa realização maior, nosso sonho em sermos pais estava se concretizando!!!! Foi indescritível, uma emoção que invadiu meu corpo, um choro de alma, um choro guardado há mais de dez anos… gritei, pulei, fiquei sem ar, e no auge de tudo isso a AS diz que iria me ligar no outro dia, pois eu estava muito emocionada e seria melhor conversar com meu marido antes.. que nada, eu disse SIM, SIM elas são nossas filhas, meu marido está no trabalho esperando essa ligação!!! Ela me explicou o que eu deveria fazer e desligou o telefone, mais uma vez corri ligar pro Du, que por sinal atendeu o telefone no primeiro toque ( não, não liguei no celular dele, liguei na Petro mesmo), pude ouvir a emoção na sua voz e eu não conseguia falar, ele disse que estava muito feliz e que me ligava depois, que era prá eu me acalmar senão eu teria um ataque sozinha em casa! A partir daí foi uma loucura, uma correria sem fim, uma emoção que vai ficar guardada prá sempre em minha alma! Claro que corri contar prá minhas amigas do grupo e elas ficaram muito felizes, sempre me apoiaram e não seria diferente, algumas choraram e ficaram malucas como eu. Eu precisava mandar a cópia do processo prá AS e diante da minha emoção não conseguia fazer algo tão simples, como não poderia ser diferente, minha amiga Ellen veio aqui em casa e foi a primeira pessoa a me dar um abraço, compartilhar minha felicidade e em dois minutos ela salvou tudo que eu precisava mandar. Tudo resolvido e vamos enlouquecer de ansiedade, mas nossa hora chegou, estamos indo buscar nossas filhas, a primeira parte de uma linda história está começando, sendo escrita… Eu nunca duvidei que esse momento aconteceria, o difícil é cair a ficha e saber que logo elas estarão aqui prá sempre!!! Minhas filhas, vocês não nasceram de mim, mas nasceram prá mim e Deus só deu um tempinho prá nos reencontrarmos!! Nós amamos muito vocês AC e SG!!!!!!!!    Agurdem mais notícias, postarei assim que possível!!!