MAIS UM DIA SEM MEU FILHO por Silvana Moreira

 

Tentarei, hoje, falar em primeira pessoa e tentar fazer com que você, que lê esse pequeno texto, se coloque também em primeira pessoa. Espero que você sinta no seu eu o que passo a relatar.
Hoje acordei sem meu filho. Vi as horas passarem no interminável tic-tac do relógio de cabeceira. Tic-tac, tic-tac, tic-tac… o barulho rítmico parecia perfurar meu cérebro e aumentar ainda mais o vazio de minha alma.Penso, repenso, rolo na cama. Do lado, esquerdo, meu marido dorme o sono dos justos. Mais um dia sem nosso filho.Levanto, ando pela casa, entro no quarto que se mantém aberto e arejado. Sento na pequena cama, estico o lençol, coloco o travesseiro no lugar, arrumo os bichinhos de pelúcia… são tantos. O urso foi presente da vovó Matilde, o cachorrinho – que late e abana o rabo –do dindo Heitor pelo aniversário de um ano de J. Ah… o anjinho que recita uma prece: “Santo anjo do senhor, meu zeloso guardador…”, caí em pratos silenciosos por 15 minutos, talvez um pouco mais, um pouco menos. O anjinho, azul com lindas asas prateadas, foi presente do padre que batizou J. Arrumo um a um cada brinquedo: o trenzinho, os carrinhos, o baldinho de praia… J. gostava muito de ir à praia conosco.Limpo a tela de sua TV em formato de carrinho, vermelha, linha, há cerca de 3 meses não é ligada. Será que preciso ligar? Liguei. Passava um programa infantil, como sempre, pois, os canais que J. gosta são os infantis. Que cabeça a minha…Em cima da mesa tem o laptop de J. que foi presente do vovô João. Laptop de criança também no formato de “carros”. J. ama o barulhinho dos jogos. J. ri, se diverte, é uma criança feliz. É ou era? Volto a chorar ao lembrar que hoje acordei sem meu filho.Fui na cômoda ver como estavam as roupinhas. Será que ainda servem? Será que ele cresceu nesses quase 3 meses? E os sapatinhos? Penso que não tenho como vê-lo, saber se cresceu, engordou, se está bem, será que tem ido ao médico todos os meses? Novas lágrimas vertem dos meus olhos.Quanto tempo já se passou? Olho o relógio na cabeceira de J.: 10 horas? Já estou aqui há 5 horas? Não vi o tempo passar!Ouço um barulho, mínimo, tímido. Olho para porta: João, pai de J., meu amado marido, está de pé, olhos vermelhos. Há quanto tempo ele está ali? Desde quando me observa? Não perguntei, não nos falamos, temos nosso código de olhar, simplesmente nos dirigimos lentamente para um forte abraço de amor e dor. Hoje, acordamos sem nosso filho.
A HITÓRIA DE J.
J. nasceu em um lindo dia de agosto, forte, bonito, 4 kg 100gr, 52 cm, APGAR 9: perfeito. João, orgulhoso, cortou o cordão umbilical enquanto eu fotografava tudo enquanto dava a mão a Maria, genitora de J.Maria tem mais 4 filhos, todos de pais diferentes. Maria me procurou no colégio onde sou professora, estava grávida pela quinta vez, não sabia quem era o pai. Implorou para que nós, eu e João, fossemos os pais do filho ou filha dela, não sabia se era menino ou menina, não tinha feito pré-natal.Conversei com João, fomos à vara da infância. Nós éramos habilitados há cerca de 1 ano e os primeiros da fila. Nossa cidade é pequena, menos de 20 mil habitantes. Eu não era amiga da Maria. Maria conhecia uma aluna minha que sabia do nosso desejo de sermos pais.Fomos, João, eu e Maria, até a Vara da Infância para que Maria soubesse como funciona a tal da adoção consensual, tudo o que foi dito foi devidamente anotado pelos técnicos da vara. Estávamos, todos, certos de que tudo estava dentro da Lei e que estávamos atuando “sob os olhos da justiça”.Seguimos. João nasceu e cuido dele desde que saiu da barriga de Maria. Ela não olhou nem queria ficar com ele. Registrou no nome que nós escolhemos e saiu de nossas vidas. Éramos todos tão felizes…Os estudos foram feitos: psicólogos, assistentes sociais, as guardas iam se vencendo e sendo renovadas, enquanto isso J. crescia, começava a andar, a falar. Querem saber qual a primeira palavra? Mama! Imaginam como fiquei feliz? Chorei, ri, rodei com J. por todo o nosso quintal junto com Félix, nosso vira-latas. Foi lindo… pena que não filmei aquele momento único, pois, hoje, acordei sem meu filho.Soube que Maria casou, cidade pequena, tudo se sabe, todos se conhecem. Parece que Maria estava bem, homem de idade, rico, com carro importado. Deu um carro para Maria.Dois anos se passaram. J. está lindo, anda, fala, come bem, ama a família, o Félix, os amiguinhos, tem até namorada, uma não, três na creche do fim da rua aonde vamos a pé todas as manhãs vendo os passarinhos, as flores. Eu levo e João o traz no pescoço. Quer dizer… eu levava e João o trazia nos ombros, porque hoje nós acordamos sem o nosso filho.Recebemos de nosso advogado a informação da audiência e lá fomos no dia 13 de setembro. Conversamos com Maria que estava com sua mãe, D. Elza, entramos na audiência e lá Maria disse que queria J. de volta, que era direito dela, que a “lei” dizia isso e que ela sabia que o filho era dela.Nosso mundo caiu, J. fui buscado, por mim e por alguém da justiça, não lembro quem nem qual o cargo, se olhar para essa pessoa não saberei identificá-la. Trouxe J. para o fórum, fiz uma mala, coloquei brinquedos, roupas, comida, e lá entreguei J. a Maria com um “termo de entrega” ou algo parecido. Desde então nós acordamos todos os dias sem o nosso filho.J., dois anos, saudável – pelo menos era -, nunca levou uma palmada sequer, tinha rotina de alimentação, acordava às 7h, chegava à creche às 8h, voltava para casa às 13h, dormia até às 17, acordava, jantava com papai e mamãe, brincava até às 21 horas, mamava e dormia.J., dois anos com papai, mamãe, dois vovôs, duas vovós, inúmeros tios e primos, padrinhos, amigos e 3 namoradas, além de Felix, era uma criança feliz e plenamente atendido em todas as suas necessidades afetivas, emocionais, psicológicas, materiais e sociais. J. tinha e fazia parte de uma verdadeira família.Os estudos sociais e psicológicos do processo, todos, foram favoráveis à adoção de J. por mim e por João. Até agora não entendo onde errei? Você sabe? Sim, você que está lendo: o que fizemos de errado?Nós somos habilitados, fizemos tudo certo, sem erro, éramos os primeiros da fila, não tomamos uma decisão sozinhos, pedimos auxílio da vara, então o que fizemos de errado? Porque hoje acordamos sem nosso filho?
Saindo, agora, da primeira pessoa: o que eles e tantos outros pais vitimas do biologismo exacerbado fizeram de errado? Por favor, apontem os erros com o dedo em riste, precisamos saber para que outras pessoas não os cometam.Vamos analisar primeiramente o emblemático Caso Duda/MG: o que Valbio e Liamar fizeram de errado? Habilitados há anos, chamados pela vara, criança abrigada, colocação com guarda provisória regularmente concedida em processo de adoção, decurso de tempo de mais de 3 anos, estudos sociais e psicológicos favoráveis a adoção. Onde está o erro? Caso R./RJ, dois anos de regular exercício da guarda provisória regularmente concedida em processo de adoção consensual, estudos sociais e psicológicos favoráveis, desistência da genitora, entrega da criança à genitora. Onde está o erro? Vários outros casos estão na mesma situação com uma reversão no Espírito Santo onde a família biológica, ao fim, desistiu de reaver a criança.Mais uma vez, onde está o erro?Podemos nos arriscar numa análise fria da questão sem adentrarmos nas especificidades de cada caso: a morosidade do judiciário que não imprime a devida, e constitucional celeridade, aos processos que envolvem crianças e adolescentes.Além do Estatuto da Criança e do Adolescente existem leis que versam sobre essa questão nos seguintes estados, dentre outros: Lei nº 15.097, de 23 de julho de 2013 de São PauloLei nº 5059 de 05 de julho de 2007 do Rio de janeiro Lei nº 2585 de 10 de setembro de 2009 da IpatingaEntão como se justifica dois anos para a realização de uma audiência de ratificação no caso das adoções intuitu personae? Ou um ano que seja? A audiência tem que ser realizada com celeridade, assim como a ela devem preceder os estudos técnicos que convalidem que o melhor interesse da criança estará sendo atendido através de sua adoção. Três meses são mais que suficientes para um “suposto” arrependimento e não poderá configurar abandono. Agora aguardar 9 meses, um, dois anos alem de ser uma péssima prestação jurisdicional é, acima de tudo, um desrespeito com o sujeito de direito que merece e tem, constitucionalmente, prioridade absoluta e a proteção do Estado onde se incluí, por obvio, do judiciário.Voltamos ao caso Duda: três anos para a família se reestabelecer? O que é isso? Que fundamento legal é esse?Vamos retornar aos prazos e desculpem-me, em primeira pessoa, pois, agora sou eu mesma, se estou sendo ácida, mas a questão merece: o art. 162 do ECA determina que as ações de destituição do poder familiar devem estar concluídas em 120 (cento e vinte) dias, 120 dias se não me falha a memória são 4 meses, nem um dia há mais. Assim, por óbvio, a audiência de ratificação da entrega da criança em adoção (art. 166, § 1º) poderá e terá que ser realizada imediatamente com mais celeridade, por óbvio, do que a tramitação de toda uma ação de destituição do poder familiar. Qual a dificuldade nessa realização? O que falta a nossos magistrados? Acredito que tenha uma ou duas respostas: (1) Equipes técnicas; (2) vocação.Vamos à análise: entendo, smj, que a audiência prevista nos §§ 1º e 3º do art 166 independe da prévia realização dos estudos técnicos e justifico – a Lei determina o que segue:
Art. 166.  Se os pais forem falecidos, tiverem sido destituídos ou suspensos do poder familiar, ou houverem aderido expressamente ao pedido de colocação em família substituta, este poderá ser formulado diretamente em cartório, em petição assinada pelos próprios requerentes, dispensada a assistência de advogado§ 1o  Na hipótese de concordância dos pais, esses serão ouvidos pela autoridade judiciária e pelo representante do Ministério Público, tomando-se por termo as declarações.§ 2o  O consentimento dos titulares do poder familiar será precedido de orientações e esclarecimentos prestados pela equipe interprofissional da Justiça da Infância e da Juventude, em especial, no caso de adoção, sobre a irrevogabilidade da medida.§ 3o  O consentimento dos titulares do poder familiar será colhido pela autoridade judiciária competente em audiência, presente o Ministério Público, garantida a livre manifestação de vontade e esgotados os esforços para manutenção da criança ou do adolescente na família natural ou extensa.
Ou seja, os genitores (§ 2º) precisam ser orientados acerca da medida pelas equipes técnicas (psicólogo e assistente social, quando existem na lotação da vara), não precisam ser submetidos a estudos técnicos antes da audiência.No caso, antes da ratificação em audiência com a obrigatória presença do MP, os genitores podem passar por uma reunião na sala de atendimento da equipe técnica, ou, na ausência de equipe, da Defensoria Pública ou do Próprio MP para que tenham a plena convicção do que estão fazendo e de suas reais implicações. O que há de tão difícil em tal procedimento? Estou sendo simplista? Caso o magistrado, ou o próprio MP, não se convençam dos reais motivos da entrega aí então que se proceda com os genitores os respectivos estudos.Com relação aos adotantes os estudos são obrigatórios, indispensáveis e necessários à instrução processual que embasará a decisão do Juízo, mas, também, não podem demorar 6 meses, um ou dois anos, pois, nesse decurso de tempo a criança pode estar em risco. Querem mais provas além das que já temos? Então vamos lá: o caso da procuradora que maltratou a criança no RJ e estava presa até recentemente; inúmeros casos de devolução depois de 1, 2 anos de convivência – essas devoluções, na minha concepção incabíveis – poderiam ter ocorrido com 3 meses, 6 meses no máximo reduzindo drasticamente o sofrimento da criança revitimizada pelo abandono.Mas, vamos acusar os adotantes, tanto os que adotam consensualmente quanto os que adotam pelo cadastro como no caso Duda. Em outra ponta vamos acusar os que devolvem, mesmo que não tenham recebido uma única visita de acompanhamento pela assistente social, mesmo que nunca tenham sido chamados para uma mera entrevista com a psicóloga judiciária. A culpa sempre será deles, adotantes, que passaram 2 anos para se habilitarem, passaram por uma reunião informativa, por 3 reuniões obrigatórias nos grupos de apoio à adoção – indispensáveis, por sinal -, uma entrevista social, uma entrevista psicológica, mais 2, 3 anos na fila e tornaram-se experts, doutores em adoção. Me perdoem, mas…não existe formação para o que se enfrenta no exercício da parentalidade seja natural, adotiva ou qualquer outra forma que exista, se é que existe.Já disse: estou crítica, acida, cansada…cansada por ELA que acordou sem seu filho, cansadas por ELES que há três meses acordam sem o filho, cansada por R. que há mais de seis meses acorda sem os pais, cansada por Valbio e Liamar que acordam todos os dias com medo de perderem Duda, cansada pelos cinco irmãos de Monte santo que estão desaparecidos, escondidos não se sabe – ou se sabe até demais – as razões. Simplesmente cansada…Então volto a ser EU, a mãe que acordou sem seu filho e pergunto: e se fosse com você? Se fosse a sua carne a sua alma arrancada de você? Se fosse o sujeito do seu afeto, do seu amor, do seu cuidado arrancado de sua vida? Se fosse você, pai ou mãe, a cheirar diariamente a roupinha de seu filho que não mais está lá? E se fosse o seu filho? Ele está acordando todas as manhãs sem você! Ele tem pesadelos na madrugada e não são os seus olhos que ele encontra para acalmá-lo, não são os seus braços a aninhá-lo. E SE FOSSE O SEU FILHO!!!!!! E SE FOSSE VOCÊ!!!!!


Silvana do Monte Moreira

Diretora Jurídica da ANGAAD

Presidente da Comissão de Adoção do IBDFAM

Coordenadora dos Grupos de Apoio à Adoção Ana Gonzaga I e II

Principalmente e antes de tudo: mãe que não sabe como não se colocar no lugar de outra mãe que “hoje, acordou sem seu filho”.

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Novos rumos…

Boa tardeeeee pipous!!!! Essa semana estou com a corda toda, tenho tempo prá vir aqui deixar um pouco do nosso dia a dia prá vcs. Não sei se cheguei a comentar aqui, mas A. sempre trocou as palavras com C, S ou X pela letra T, ou seja xixi virava titi, saia era taia, celular era tutular e assim por diante, há um mês começamos a corrigi-la, dizendo que ela já iria fazer 5 anos e não poderia falar errado, senão na escola todos iriam rir dela, algumas vezes ela falava errado e remendava o certo em seguida, outras vezes tínhamos que perguntar o que ela tinha falado prá então ela falar o certo. Na segunda, dia 24 ela fez 5 anos e amanheceu incrivelmente mudada… agora temos uma versão feminina do Romário em casa, todas aquelas palavrinhas que ela trocava sumiram, deram lugar aos Cs, Ss e Xs carregadíssimos e com a língua no meio dos dentes, Nosssssssssssssssssssa SSSSSSSSssssssssssenhora, tá lindo e engraçado vê-la falando com tudo carregado e a “boca mole”, rsrsrsrsrsrsrsrs Ela tá achando o máximo tudo isso, adorou a festa, ganhou uma nega preta (boneca negra) da Tia Ellen e anda com a bebê prá cima e prá baixo, beija a todo instante e diz que ama a filha neguinha dela! Acho que ela também deu uma amadurecida, pois diz que não é mais uma bebê e que é a mocinha da mãe, está muito mais carinhosa e chameguenta, também está aprontando mais, faz arte e fica com cara de safada. Ontem estávamos jantando e ela deu um arroto na mesa, mas aqueles que só sai o ar e ela imediatamente nos olhou e disse: Tô com soluço!!! Tem como brigar??? Nesse caso não.. o pai fingiu ter se afogado prá dar risada e passado tudo ele disse que quando for esse tipo de soluço ela tem que sair da mesa, rsrsrsrsrsrsrss. No mais estamos na mais perfeita sintonia, harmonia… adoro ver meu marido feito bobo, babando em cima das meninas, ensinando, sendo realmente um pai presente e feliz, nunca o vi tão feliz e sorridente, aquela cara de bravo que ele sempre teve desmanchou há tempos, ver a felicidade que a paternidade proporcionou a ele não tem preço!!! 

Gostaria de deixar algo claro por aqui, eu fiz este blog prá desabafar e aguentar a ansiedade na fila de espera da adoção, como entrei de cabeça na causa, minhas filhas chegaram super rápido e recebo muitos elogios e agradecimentos, vou continuar relatando tudo que estamos vivenciando, quero passar prá vocês tudo que eu aprendi e quero ajudar essas crianças a terem uma família que as ame, que elas tenham um lar verdadeiro e uma vida feliz, não faço deste lugar um diário de lamentações ou fico dando indiretas prá pessoas específicas, não tenho apenas família e amigos íntimos na minha rede social, não queiram ser o centro do universo e por favor, se quiserem causar discórdia ou qualquer coisa do gênero, peloamordeDeus, falem diretamente comigo, EU escrevo aqui, ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE EU, ninguém mais é responsável pelo que está escrito aqui,não tenho motivos prá ficar de mimimi com ninguém, tenho minha família(minhas 3 filhas e meu marido) perfeita e feliz não preciso da infelicidade de ninguém prá viver, não sou perfeita e não me vendo por nada, luto e defendo tudo aquilo que eu acredito e acho que quando estamos completos não precisamos promover discórdia, não há necessidade de falsidade ou hipocrisia e infelizmente é o que mais se vê por aí, não vou bloquear nada nem ninguém, este blog é meu e aberto ao público, então se quiser aprender, ajudar ou dar sua opinião seja bem vindo, caso contrário sinta-se a vontade prá sumir!!!  Estamos com um projeto que irá nos deixar mega realizadas, por enquanto não posso contar, mas garanto que será uma realização pessoal enorme e vai deixar muita gente de queixo caído e com a maldade aguçada, hahahahahahahahahahahahaaa

O QUE É BUSCA ATIVA?

Para entenderem melhor o que é essa busca a qual me referi várias vezes, um texto completo e esclarecedor feito pela querida Rosana Silva.

O QUE É “BUSCA ATIVA”?

O Cadastro Nacional de Adoção deve ser alimentado com os perfis das crianças já aptas para adoção, ou seja, crianças já destituídas do poder familiar, e dos habilitados à adotar.

Assim, crianças e adolescentes que não tenham ainda sido destituídos não constarão do CNA como aptas à adoção.

Muitos juízes entendem que não deve ser concretizada a destituição do poder familiar de crianças e adolescentes sem que existam pretendentes à sua adoção. Por este entendimento estas crianças e adolescentes não chegam a constar do CNA, já que as destituições só são movidas ou finalizadas após encontrarem-se adotantes para eles.

Não raro os habilitandos (aqueles em processo judicial de habilitação para poderem adotar uma criança ou adolescente) habilitam-se para perfis bem restritos, muito próximos de “menina, branca, saudável, até 1 ano, sem irmãos”.

Com o passar do tempo e o amadurecimento do desejo de adotar este perfil vai sendo alterado dentro da mente e corações dos habilitados. Todavia, a grande maioria não providencia junto ás suas varas de habilitação a alteração correspondente do seu perfil.

Assim o CNA continua alimentado com um perfil que não é mais aquele realmente almejado pelos futuros adotantes. Sem ter ciência da alteração deste perfil, as varas não localizam adotantes para crianças que caberiam naqueles perfis de fato já modificados.

O terceiro ponto importante para compreensão do que seria a busca ativa está na necessidade de auxílio da sociedade como um todo para dar efetividade à garantia constitucional ao direito de toda criança e adolescente viver em família.

A busca ativa se presta ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE para auxiliar na busca por adotantes PREVIA E REGULARMENTE HABILITADOS para crianças e adolescentes denominados “de difícil colocação”. São eles grupos de irmãos que não devam ser separados, crianças acima de 5 anos, com deficiências físicas e/ou mentais.

Diante desses três elementos temos que a busca ativa é o auxílio legítimo e constitucionalmente autorizado prestado pela sociedade civil ao Estado na busca e localização de habilitados à adoção para crianças e adolescentes fora do perfil mais pretendidos por aqueles, quais sejam, maiores de 5 anos, grupos de irmãos inseparáveis, crianças e adolescentes com deficiências físicas e/ou mentais.

A busca ativa se constitui SEMPRE em voluntariado não remunerado e jamais em atividade que implique em qualquer tipo de retribuição ou contrapartida, consistente no auxílio prestado pela sociedade civil aos órgãos públicos competentes, incumbidos da efetivação do direito à convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes, na busca por adotantes previamente habilitados para aqueles que, por seu perfil, encontre-se dificuldade para colocação em família adotiva.

Importante se enfatizar que cobrar, solicitar ou mesmo aceitar vantagem de qualquer natureza em retribuição pela prática de busca ativa não só a desnatura como pode se constituir em prática de crime de tráfico de pessoas.

Assim os grupos de apoio à adoção são ótimos auxiliares dos Poderes Públicos na busca ativa, já que são eles, de regra, os únicos a terem contato direto com os habilitandos e habilitados e conhecedores das alterações de perfis não comunicadas às comarcas de habilitação.

As equipes técnicas das varas da infância e juventude, cientes desta realidade, não raro e cada vez mais, buscam auxílio dos grupos de apoio à adoção nos quais tenham confiança na seriedade de sua atuação na localização de adotantes para suas crianças de difícil colocação, não raro ainda não destituídas ou em processo de destituição do poder familiar.

O trâmite desta busca ativa deve pressupor a solicitação de auxílio pela equipe técnica e finalização pelo repasse para ela dos dados dos habilitados que demonstrem interesse e maturidade para uma adoção necessária.

Aqueles que militam na busca ativa não devem participar sob qualquer argumento ou justificativa dos trâmites legais que viabilizem ou não a futura guarda e adoção. Sua participação deve se restringir ao cruzamento dos dados dos habilitados de que tenha conhecimento com o perfil da criança para a qual a equipe técnica tenha solicitado indicação e, localizado pretendentes, repasse dos dados à comarca.

Os grupos, a partir deste ponto, devem restringir sua atuação no apoio psicológico e jurídico dos habilitados indicados que sejam seus membros.

Esta é a VERDADEIRA, ÉTICA E LEGAL E CONSTITUCIONALMENTE AUTORIZADA busca ativa. Tudo o mais pode se configurar em crime contra a criança e adolescente, punível pelo Estado com privação da liberdade e multa.

Abraços afetivos.

Comemorando 5 anos da caçula…

Ooooooooi, demorei mas tinha um ótimo motivo: Estava preparando a festa de aniversário de 5 aninhos do meu bebezinho, minha caçula sapeca e ranzinza!! Noooooossa, uma correria danada, planeja, encomenda, faz conta, confirma, compra, faz… ufaaaa isso cansa viu!! Na época da Fer, além de eu não ter tempo e nem dinheiro prá nada, era só encomendar bolo, doces, salgados e encher algumas bexigas… dava uma apertadinha aqui, outra ali e estava bom, hoje são tantas coisas, tantas futilidades lindas e maravilhosas prá festa de meninas que duvido que a mais racional das criaturas não perca a razão por algumas horinhas! Decidi que eu mesma iria fazer a lembrancinha prás crianças, como o tema da festa foi a Lalaloopsy, fiz o ratinho em feltro e coloquei numa sacolinha com balas, pirulitos e doce de leite, além de distribuir as famosas bolinhas de sabão, danoninho caseiro, fiz pompons de seda, o nome da minha boneca em feltro e fibra siliconada, fiz a idade dela com botões coloridos e coloquei num porta retrato, eu amei tudo, ficou tudo muito perfeito e lindo!! O bolo e os doces foram feitos pela minha amiga Lola, gente essa mulher tem uma mão, ela faz obras de arte!!! Prá variar no dia da festa, acabamos nos atrasando e minha amiga Ellen imaginou que eu precisaria de ajuda e chegou mais cedo, aí ela colocou a mão na massa e conseguimos terminar de arrumar tudo antes do povo chegar! Enfim, apesar da correria, da despesa extra mas planejada, valeu muito a pena, reencontrar minhas amigas do grupo, apresentar minhas neguinhas prá quem não as conhecia pessoalmente, conhecer o NIC que chegou junto com elas e eu ainda não o conhecia, um charme, um gostoso, um bebê deliciosamente apaixonante que ficou agarrado na barba do Du… e ver os olhinhos brilhando e a carinha de felicidade estampado no rosto das negas não há o que pague!!! Imagem

Uuuuuuh, sumi né…

Olá pessoas! Peço milhões de desculpas pelo sumiço, mas tava difícil vir atualizar!!!

Vamos por partes: Fim de ano, correria com o marido trabalhando 12 hs ao dia, começo de ano com tudo prá colocar em dia, arrumar escola prá S. que fez 6 anos em Novembro, comprar material e uniforme escolar e arrumar transporte… ufaaaaaaa! Conversei com amigas entendidas no assunto legal da adoção e soube que não sou obrigada a matricular a A. este ano na escola, ela ainda fará 5 anos e eu quero aproveitar um pouco essa fase dela, não trabalho fora e não vejo motivos prá colocar agora. Ah mas tem a socialização, a alfabetização, será bom prá ela… Ela é sociável até demais, a alfabetização faço enquanto a S. faz o dever de casa e ainda sou da opinião que todo o tempo com os filhos vale muito mais que algumas horas na escola, calma, explico: a S. com 6 anos entrou no antigo Pré, que hoje chamam de primeiro ano, então nem alfabetizada direito ela será, pagamos mensalidade prá ela desenhar, brincar e interagir com outras crianças, eu entrei na escola com 7 anos, a Fer também, então A. fica comigo e pronto!! A escola dela fica a uns 3 km de distância de casa, como não dirijo temos que pagar transporte escolar e o assalto a mão armada custa 260 reais mês e o serviço deixa a desejar, mas enquanto não tiro carteira de motorista, nos sujeitamos a isso! A escola é meio desorganizada, estou doida prá ter a primeira reunião de pais e meter a boca no trombone, ano que vem ela não fica nesta escola! 

No começo de Janeiro, tivemos uma entrevista com a nossa psico, foi a primeira vez que ela viu as meninas. Claro que estávamos nervosos e eu contei e expliquei prá elas a situação, falei que não era prá contar mentiras e que a psicóloga é muito querida, mas que só estava querendo conhecê-las e saber se elas querem ficar conosco ou não. Elas diziam que não queriam ir embora, que são felizes aqui e que gostam das cachorras, rsrsrsrsrsrs. No dia, S. suava frio nas mãos, A. falava mais que vendedor chato e S. se calou, os papéis se inverteram e eu vi um lado delas que não conhecia, no nervosismo elas mudam completamente. Vai saber o que elas foram instruídas a dizer quando estavam com ADPF em andamento? Principalmente S. mais velha e viveu muita coisa… nem gosto de pensar no sofrimento. No fim foi tudo ótimo, a psico as adorou e deu o parecer favorável a adoção, relatou que somos uma família amorosa e que as duas estão nos identificando como referência, que nós somos prá elas seus pais! =D

Dia 10 de Fevereiro, tivemos uma oitiva, ou seja tivemos uma audiência com a juíza da VIJ, essa audiência foi filmada e as meninas estavam presentes, mais uma vez o nervoso tomou conta de todos, as duas com suas reações e eu com flatulência, hahahahahahahahaha. Mas foi tudo ótimo, a juíza é muito simpática, não tem aquela cara carrancuda que mete medo em todos, conversou conosco, perguntou se realmente queremos adotá-las e fez perguntas bem informais prás meninas, na sala havia uma estagiária de Direito, uma escrivã, a juíza e nós, o parecer foi favorável e só estamos esperando a resposta da comarca de origem das meninas se manifestar, a juíza de lá mandar expedir a nova certidão de nascimento delas!!!!!!!!!!!!!

Nosso verão foi de lascar este ano, aqui em Curitiba as temperaturas chegaram aos 36º C, algo insuportável prá nós, rsrsrsrsrsrs. Mas nas folgas do Du, fomos á praia, fomos tomar banho de rio com os compadres Aline e Emerson, enfim na medida do possível aproveitamos muito e as meninas também. Agora elas estão super ansiosas prá chegada do frio, algo que elas não conhecem. Semana passada compramos algumas peças de roupas mais quentes prá elas, afinal são duas e não dá prá comprar tudo de uma só vez e elas estão enlouquecidas prá vestir, por sorte ainda não esfriou prá elas usarem, eu detesto frio e sei que elas vão sentir bastante, vieram do Nordeste e lá o inverno deles é em torno de 23ºC… imagina aqui que fica entre 2º C e 10º C?? No mais estamos dentro da normalidade, elas são muito queridas, são obedientes e dificilmente há estresse por aqui, apenas tivemos duas ocorrências na casa da minha sogra, digamos que foram fatos que quiseram passar por cima da minha autoridade e que me tiraram do sério, afinal estamos em fase de adaptação e TODOS temos que falar a mesma língua, não adianta eu e o Du educarmos, ensinarmos a semana inteira e em um dia elas fazem tudo que querem na casa da vó, não sou cruel, sou realista, sempre mimei meus sobrinhos, mas nunca interferi no modo alimentar deles e nunca passei por cima do que a mãe deles recomendou, mas enfim o castigo ainda tá durando e espero que de agora em diante os adultos entendam que elas são minhas filhas e que eu vou educá-las do meu jeito, o que eu disser e fizer será seguido! Já chega ouvir duas vezes que queriam mudar o nome da S… opa, peraí, a mãe sou eu e quem decide se vai pedir prá trocar sou eu, mas depende do juíz acatar o pedido… ridículo isso!!!  Feriado de carnaval o Du estava de folga, tivemos aniversário da Larissa no sábado, domingo fizemos churrasco aqui em casa prá Nadine e Hémerson e na segunda vieram o Eduardo, a Mônica e a Marcela, nossos dias foram bem gostosos, adorei as visitas!  Aos poucos vamos entrando nos eixos, ainda tem muitos amigos e familiares que não as conhecem pessoalmente, mas a minha casa tá aberta prá todos é só avisar e chegar, afinal elas chegaram e quem quiser conhecê-las que venha na casa delas, no ambiente que elas estão acostumadas. Outra coisa que tá me deixando incomodada é que na alegria, eu convidei trezentos e cinquenta mil pessoas prá serem os padrinhos delas, na teoria é fofo demais, mas na prática tá sendo um desastre… tem alguns que as viram uma vez só, nunca vieram vê-las e sequer dão um telefonema prá saber como elas estão, sinceramente estou pensando em deixar assim, deixar apenas os que as procuram, se interessam por elas e as amam batizá-las, o resto que vá batizar os filhos de outros, os que nasceram de barriga, os branquelinhos… só quero o melhor prá elas e devo começar por aí, padrinhos são pessoas que substituem os pais e se nós faltarmos na vida delas… tadinhas estão lascadas!!! O pecado não é meu, mas sinceramente seria mais digno se na hora tivessem recusado o convite! 

Agora é esperar o ano realmente começar, torcer prá que meu presente de aniversário seja a certidão delas!!!!