Meu filho chegou, e agora?² Ele não quer dormir no quarto dele, o que faço???

Como eu disse na postagem inicial, seu filho regredirá! E quando o fizer tudo será muito mais cansativo, estressante MAS GRAÇAS A DEUS SERÁ BREVE!!! Pois quanto antes a regressão começa, mais rápido ela passa!!!

Se a regressão começar cedo na convivência de vocês é porque ganharam um voto de confiança de seu filho!! É um aviso de que ele está pronto para reescrever junto com você a sua história familia!!!

Bom, quando um bebê nasce ele é só instinto, mas em pouquíssimo tempo ele aprende que quem lhe satisfaz as necessidades (e isso é sempre um prazer para ele) é a mamãe (entendida aqui como figura parental afetiva dominante sem importar o sexo de quem a assuma)!!

O que ocorre então é que ele passa a demandar muito mais a mãe, em busca não apenas de satisfação física de suas necessidades, mas também das necessidades afetivas.

Estar longe dela, mesmo que por pequenos períodos, é para ele um grande sofrimento!! por isso o bebê passa por aquela fase chatinha onde só quer a mãe e as vezes nem o pai ele aceita!!

Isso vai até que PSICOLOGICAMENTE ele entenda que a mãe não precisa estar 24 hs dia com ele, satisfazendo suas necessidades físicas e afetivas para que ele seja feliz!!

Quando falamos de adoção tardia e regressão, não é raro que PSICOLOGICAMENTE a criança “reviva” estes momentos iniciais de vinculação afetiva com a principal figura parental!!

Como já lhes disse, esta fase é importantíssima para a relação futura entre mãe e filho!! a criança só regride se sente que estará razoavelmente segura dos sentimentos da figura parental dominante.

Assim, a regressão é, mesmo que muito estressante, uma prova de confiança dada pela criança ao adotante!!

A criança, mesmo aos 8, 9, 10 ou 11 anos poderá passar a ter comportamentos e “medos” típicos de fases muito precoces do desenvolvimento infantil.

A resistência em dormir sem a presença da figura parental principal ou insistir em dormir na cama desta pessoa é sinal de regressão e deve ser enfrentada como se faz, com as devidas adaptações, por óbvio, com o bebê de poucos meses que passa a agir assim.

Paciência é fundamental neste momento! mas é exatamente neste momento em que a pobre mãe (ou pai) está já pra lá de cansada e estressada!!

Se com um bebê se teria muito mais paciência, com uma criança de 8 anos não nos prepararam para termos a paciência necessária para enfrentar esta barra!!

Os novos pais tendem a dar broncas no filho e insistem em apelar para seu lado racional, quando a “conversa” não se dá no nível da razão e sim da emoção!!

Se o menino fala e age como uma criança de 8, 9 ou 10 anos no resto do tempo, nos momentos simbólicos de regressão ele agirá, se comportará como uma criança de 1 ano!!

NÃO PORQUE ELE QUEIRA OU TENHA ASSIM DECIDIDO AGIR!! mas porque inconscientemente sua psique regride para melhor assimilar as mudanças e poder se vincular da forma mais primitiva, mais primeva, mais primordial com a nova figura maternal!

Os momentos de regressão não devem ser estimulados a ocorrer ou se manter!!! ISTO DEVE FICA BEM CLARO!!

Mas não devem ser cortados, reprimidos, punidos, pois eles não são “birra, mimações ou má educação”!! São processos psicológicos complexos, importantíssimos para a relação futura entre pais e filhos, pois juntos reescreverão a história afetiva da criança.

Assim, o medo de dormir sozinho, a resistência em dormir por saber que a figura parental principal dela se afastará, é sentido pela psique da criança como o seria pela de um bebê de poucos meses!! ele não tem controle sobre seu medo ou reação a estes medos!! ele vive a angústia da separação quando está em plena fase de viver a simbiose original entre mãe e filho!!

A criança adotiva em regressão está tentando entrar em simbiose com a figura parental principal e para isso terá, falando de uma forma mais simples, que se “misturar” com a mãe, entrar dentro dela, se apropriar dela como um todo!! ENGOLI-LA mesmo!!

Por isso a mãe sente como se estivesse sendo sugada, como se sua energias fossem drenadas pelo novo filho!!

Isso assusta pacas!! mas é exatamente isso que os bebês paridos fazem com suas mães!!

Somos educados para sabermos disso e estarmos preparados para isso se parirmos. MAS NÃO SOMOS PREPARADOS PARA ENFRENTAR ISSO COM UMA CRIANÇA QUE AS VEZES TEM O NOSSO TAMANHO E ATÉ MAIS FORÇA FÍSICA QUE NÓS!!!

Mas, guardadas as devidas adaptações, as reações afetivas da nova mãe para com o filho em regressão devem ser as mesmas que teria se ele fosse um bebê de meses.

A partir daqui se deve seguir as orientações que entender pertinentes para um bebê de meses!!

EU, PARTICULARMENTE, sou totalmente contra deixar chorar até cansar e dormir. Sou contra brigar para que não vá para a cama dos pais ou mandar voltar para a cama.

Mas este é um dentre os vários posicionamentos sobre o assunto “criança na cama dos pais”!!

Eu comungo da teoria que deixar o bebê ou a criança em adoção tardia chorar sozinha sem a presença da mãe (figura parental) é quebra grave da confiança que a simbiose original oportuniza criar.

Quanto mais segura a criança/bebê de que a mãe “é sua inteiramente” na fase da simbiose, mas autoconfiante ela será após sair desta fase. Quanto mais segura a criança sair da fase de simbiose, mais segura ela será nas vivências sociais. Isso não raro faz com que os novos pais se sintam até meio postos de lado após a regressão!! Como se a criança não mais se importasse com eles após as vezes alguns meses de grude total e cansativo!!

Não digo para a mãe fazer todas as vontades da criança/bebê, mas sim tentar conduzir com a paciência que lhe for possível esta fase que DÁ E PASSA!! e será determinante para a futura convivência e afeto entre mãe e filho!!

EU, COM OS MEUS, fui sempre muito “mole”. Optei, PARTICULARMENTE, em deixar que eles determinassem o ritmo do desenvolvimento deles.

No que tange a dormirem em suas camas em seu quarto, fui igualmente permissiva.

Com meu filho até os 4 anos eu levantava para ficar com ele todas as noites pelo menos 4 vezes. Apenas as 5 anos ele começou a não demandar tantas “levantadas” minhas. Mas até hoje, aos 6 anos, ambos os meus filhos ainda levantam eventualmente a noite e vão para minha cama. Deixo que venham e assim que dormem, levo (e que peso!!!) de volta para a cama deles.

Aos papais novos de filhos em tardia sugiro que estudem como melhor lhes adequem ao modo de vida e de pensar como enfrentar esta fase que pode ou não vir a acontecer!!

Pesquisem sobre como os estudiosos sugerem (são várias teorias e sugestões de intervenção) para os bebês que passam por esta fase e escolham aquela estratégia que melhor se adeque ao modo de vida de cada família. Inclusive a cama compartilhada é opção válida!!

O importante é que se saiba que esta fase todos os pais passam, tenham parido ou adotado os filhos que possuam.

Texto de Rosana Silva.

2 comentários sobre “Meu filho chegou, e agora?² Ele não quer dormir no quarto dele, o que faço???

  1. O seu texto me ajudou muito pois meu filho está passando por esta fase. Não conseguia entender o porquê dele estar regredindo após 7 meses de convivência, mas também não conseguia sentir um vínculo muito forte dele comigo. Ele só dorme se for comigo e eu não entendia. Muito obrigada mesmo

    • Olá Ana!
      Fico feliz por ter ajudado!
      Essas regressões são normais em qualquer idade, não se assuste com isso, é necessário prá criança e significa a aceitação, o vínculo e o amor se fortalecendo!
      Obrigada pela visita, volte sempre!
      Abraços.

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