Os amigos…

Amigos são anjos na nossa vida, há os mais chegados, os mais distantes, mas a verdade é que sem amigos a vida fica sem graça. Eu prezo os meus e confesso que nem tenho tantos como a maioria das pessoas, mas os que tenho, são mais que amigos, são irmãos, anjos no meu caminho. Desde que contamos que vamos adotar, tenho recebido muito apoio e carinho de todos e eles serão os tios do nosso anjinho. Tem a Cira, chamada carinhosamente por mim de “Chilela”, putz, não lembro quantos anos somos amigas, nos conhecemos na internet e viramos irmãs, já fui prá casa dela em Porto Alegre e sou madrinha de coração da Carol, filha dela que tem 4 aninhos, a Cira esteve comigo em todos os momentos na minha fase enlouquecida de engravidar, chorou comigo, torceu comigo, me consolou, rezou e me apoiou, sempre esteve comigo, mesmo de longe. Tem a Verinha, também conheci na internet, fui na casa dela em São Paulo, isso já tem 10 anos, pessoa de um coração enorme e com uma bagagem de vida que não é qualquer um que carrega, admiro ela por sua força, dedicação aos filhos e netos, tá sempre de bem com a vida e foi ela que acompanhou nossos últimos passos na entrega da documentação prá habilitação, ela veio passar uns dias aqui em casa e por coisa do destino, as coisas foram atrasando e um dia depois que ela chegou, fomos no cartório da VIJ entregar a papelada, ela se emocionou conosco e garanto que tá tão ansiosa quanto nós. Tem a Nadine e o Hémer, eu trabalhei com o Hémer e através dele conheci a Nadi e também nos reconhecemos irmãs, são 8 anos de amizade e posso dizer que eles acompanharam toda a nossa vida, desde os bons momentos, até os mais difíceis, eles estavam ali, uma vez, na época da vaca anoréxica, batemos a moto numa Ecosport, não tínhamos cartão, cheque… apenas o salário do mês, passamos um aperto danado, mas a Nadi e o Hémer, todo sábado depois do trabalho, chegavam em casa com uma cervejinha, uma carne, uma pizza, queriam nos ajudar com dinheiro e isso não tem preço, é algo prá vida toda!  O Cléverson, gêmeo do Hémer, cada vez que vem aqui em casa e contamos como está o processo da adoção, ele chora, se falarmos quinze vezes sobre isso, nas quinze ele chora, é emocionante ver a emoção nos seus olhos, o carinho dele por nós é incrível! Tem a Aline e o Emerson que também estão sempre conosco, não tanto quanto gostaríamos, pois eles tem dois filhos lindos e trabalham prá caramba, a Aline ainda mais pq trabalha no shopping, mas são duas pessoas que amo e quero levar essa amizade prá sempre! 

Tem a família, todos apoiando, querendo que essa criança venha logo, esses dias fomos com meus dois irmãos mais novos e a namorada de um deles comer pizza, e todos me enchendo de perguntas, querendo saber tudo sobre o sobrinho que vai chegar, é tão bom esse sentimento, esse carinho, nem tenho palavras prá descrever! Enfim, não quero ser injusta com ninguém, cada um tem um lugar especial na minha vida e no meu coração, serão todos titios e titias e isso é prá sempre!!! Obrigada por todo esse amor e carinho, amo vocês!!!

Gravidez: O que acontece quando a barriga não cresce!

Quando eu falo a palavra gravidez o que vem à mente de quem lê: uma mulher com uma barriga enorme!
Sempre relacionamos palavras a imagens, entretanto as palavras nem sempre relacionam exatamente a apenas uma imagem. A palavra ‘banco’, por exemplo, sem nenhuma outra referência pode remeter a um banco de jardim embaixo de uma árvore numa praça ou a um banco financeiro. A imagem vai depender do foco de quem está lendo certo? Nem sempre!

Com a palavra gravidez é assim: você lê a palavra e a imagem é de uma mulher barriguda. Não tem como fugir disso, entretanto se falarmos em esperar um filho a figura associada muda? Para a maioria das pessoas não!
Quando eu digo que estou esperando mais um filho as pessoas me perguntam de quantos meses eu estou. Se eu falo que são, aproximadamente, 48 meses as pessoas mudam de assunto. Não sei, mas acham que estou debochando, entretanto eu estou esperando outro filho há aproximadamente 48 meses mesmo!

A sociedade ainda não assimilou o sentido de esperar um filho, de estar grávida do coração. Por conta disso podemos esperar nossos filhos por 3, 4, 5, 10 anos e quando eles chegam é como se tivessem aparecido por encanto, assim ‘do nada’.

Vamos fazer uma analogia: gravidez biológica x gravidez do coração.
Na gravidez biológica a barriga cresce e, via de regra, dura 9 meses ou 42 semanas! Todo mundo participa, compartilha da felicidade da futura mãe, ansia pelo momento de ver a carinha do bebê, sonha com o momento de poder visitar, planeja presentes e tal. Essa é a parte social: amigos, parentes, colegas de trabalho, vizinhos, todos se envolvem com a barriga, todo mundo sempre tem algo positivo ou alguma recomendação para dar sobre o bebê e isso é legal, afinal de contas uma nova vida que chega é sempre motivo de festa. Como diz a famosa marca de fraldas: é um pequeno milagre que vem ao mundo!
A mulher grávida fica sensível pela mudança hormonal e também pela mudança real que terá em sua vida e família em poucos meses. Terá uma pessoa a mais em casa, uma pessoa totalmente dependente dela e ela passará a ter que zelar pela saúde e bem estar desta pessoa! A mulher grávida sente felicidade por estar grávida, mas conforme a barriga vai crescendo ela sente ansiedade, medos dos mais variados, tem sonhos sobre como será o seu bebê, que carinha vai ter. Tem fantasmas que povoam sua mente: como será quando chegar o momento? vai dar tudo certo? o médico estará disponível?, o hospital terá estrutura suficiente se o bebê tiver algum problema?, ele terá saúde?, terá todos os dedinhos? e se não chorar na hora que nascer? e se não me mostrarem e depois trocarem meu bebê? e se depois que chegar em casa eu não souber cuidar? e se eu não  conseguir amamentar? e se o leite for fraco? e se…e se…e se? Na cabeça de uma gestante, por mais que ela se cerque de todas as garantias e tenha certeza que está tudo certo passam todas essas perguntas e muitas outras mais.

Na gravidez do coração a barriga não cresce, o tempo de espera é indeterminado, praticamente ninguém participa da felicidade da futura mãe, pouquíssima gente se lembra que ali naquela família em algum momento vai haver uma criança nova para ser visitada. Colegas de trabalho, vizinhos, amigos e conhecidos: quase ninguém se envolve com a mãe na espera e mesmo assim, como diz a famosa marca de fraldas, este filho, assim como o biológico, é um pequeno milagre que vem ao mundo!
A grávida do coração  fica sensível também. Para ela não existem mudanças hormonais, mas as mudanças emocionais são tais e quais as da grávida biológica:  ela sabe que terá uma pessoa a mais em casa, uma pessoa totalmente dependente dela e ela passará a ter que zelar pela saúde e bem estar desta pessoa! A mulher grávida do coração sente felicidade por estar esperando um filho, e mesmo sem barriga crescendo ela sente ansiedade e medos dos mais variados, tem sonhos sobre como será o seu filho que pode não ser um bebê, tenta imaginar que carinha vai ter. Tem fantasmas que povoam sua mente, também: como será quando chegar o momento? vai dar tudo certo? o fórum ai demorar para ligar?, o abrigo estará cuidando bem da criança?, será perfeitinho? e se não gostar de mim?, e se depois que chegar em casa eu não souber cuidar? e se eu não  conseguir alimentar? e se…e se…e se? Na cabeça de uma grávida do coração, por mais que ela se cerque de todas as garantias e tenha certeza que está tudo certo passam todas essas perguntas e muitas outras mais. 

É possível perceber que existe uma diferença fisiológica grande entre a grávida biológica e a grávida do coração, entretanto na parte emocional não é muito diferente, salvo algumas peculiaridades inerentes a um estado e a outro.
Mesmo para se engravidar, seja biologicamente, seja do coração existem alguns caminhos muitos semelhantes:
– grávida biológica antes planeja o filho, para com o contraceptivo, engravida e espera.
– grávida do coração antes planeja o filho, preenche um monte de papéis, entrega no fórum e passa por processo de avaliação (fase de parar os contraceptivos e engravidar!), se habilita (engravida!) e espera.

Se por um lado na parte emocional não existe muita diferença, na parte social existe um abismo!
Uma grávida do coração não ganha um filho ‘do nada’! Ela faz uma espécie de pré-natal no fórum que não é para garantir a saúde da criança e um bom parto, mas sim para terem a certeza de que ela tem saúde física e mental para ter a criança. Ela passa por uma espera tão angustiante quanto a da grávida biológica entretanto a espera dela tem prazo para começar e não tem prazo para terminar.
A grávida do coração não recebe paparicos, salvo excessões não ganha mimos para o filho e não tem muito direito de falar sobre suas ansiedades sob pena de ser taxada de obsessiva e só falar nesse assunto. Isso na melhor das hipóteses, porque se para a grávida biológica todo munto tem algo positivo para falar sobre o filho vindouro, para a grávida do coração boa parte dos conselhos são temerários!
A grávida biológica pode reduzir seu grau de ansiedade descobrindo o sexo do bebê para fazer o enxoval e o quarto, a grávida do coração sequer pode fazer enxoval a menos que tenha um perfil muito restrito, o que aumenta muito sua ansiedade.

Com essa analogia quero orientar o seguinte:
1. quando souber que uma pessoa está esperando para adotar, lembre-se que a barriga não está crescendo, mas esta pessoa está grávida emocionalmente tanto quanto uma que carrega o filho na barriga;
2. O filho recém-chegado de uma mãe do coração não surgiu ‘do nada’! Ela possivelmente esperou muito mais tempo do que uma gravidez biológica regulamentar;
3. Toda grávida precisa de atenção com relação à sua espera e com a grávida do coração não é diferente.
4. A grávida do coração não é obsessiva, ela tem um grau de ansiedade um pouco maior porque sua espera é um pouco maior também;
5. Quando uma pessoa opta pela adoção ela está envolvida com a chegada de um filho e é crueldade com o seu emocional discursos preconceituosos sobre a origem da criança e seu possível futuro tenebroso. Ninguém cogita com uma grávida biológica que o filho dela pode vir a ser um marginal, um bandido, que possa matar toda a família num acesso de revolta ou de ingratidão e ninguém tem garantias que isso não vá acontecer com um biológico, nem tampouco que vá acontecer com um adotivo!

Texto escrito por Cláudia Gimenes, não consegui identificar o nome do blog.