Algo a refletir…

Olá povo, como estão? Por aqui tudo na santa paz! Venho aqui hoje porque andei pensando sobre algumas dificuldades na adoção tardia, é fato que nem tudo é um mar de rosas, nem tudo é perfeito, nem sempre é aquela maravilha que ouvimos ou que eu ouvi no curso para pretendentes a adoção. Existem sim dificuldades, testes, birras… mas no meu caso não, eu não tenho nada negativo prá contar das minhas negas! Primeiro porque eu sou defensora da boa e velha história que criança é criança e deve ser criança até certa idade, minhas filhas são e estão mimadas como já contei aqui antes e nós sem elas perceberem damos tudo que queremos e podemos dar prá elas, mas isso com os pés bem fincados no chão. Elas comem chocolate, biscoito, chicletes, pipoca, iogurte, batata frita, Mac lanche feliz, mas elas me ajudam nas tarefas de casa, enxugam as tampas das panelas, enchem as garrafas de água prá colocar na geladeira, completam o pote de ração das cachorras, dobram e guardam suas roupas, se forem na casa de alguém não irão ficar mexendo nas coisas, ficarão sentadas aonde eu mandar, não maltratam animais, não falam palavrão… enfim sou uma mãe muito permissiva em certos assuntos, mas linha dura em outros. Lembro que fui numa festa de aniversário antes mesmo delas chegarem e no final da festa, umas amiguinhas do aniversariante se descabelaram prá levar embora os enfeites das mesas, pelo amor de Deus, cadê a mãe dessas crianças? É disso que falo, não adianta você proibir seu filho de mascar um chicletes de vez em quando, mas quando vai na casa de alguém te faz passar vergonha pela falta de educação e limites!  Sempre detestei criança que vai na casa dos outros e mexe em tudo, criança que se mete em conversa de adultos, criança que faz birra e chora sem derramar uma lágrima só porque foi contrariada, não, não sou carrasca sou mãe e quero o melhor prás minhas filhas, com a Fer foi assim e assim está sendo com a Sil e a Ana. Semana passada fomos fazer um atacadão de consultas no IPO, todos nós nos consultamos, sabem o que aconteceu? Eu e o pai delas nos consultamos com o mesmo otorrino, cada consulta levou 20 minutos, elas ficaram 40 minutos sentadas no sofá quietinhas… lá pelos 30 minutos o otorrino estava me examinando e percebeu que elas estavam de frente prá nós, ele imediatamente pegou pirulitos, maçãs, as abraçou e as beijou e disse que não era possível duas crianças quietas daquele jeito, que ele nunca tinha visto isso em anos de profissão, contou que as crianças só faltam se pendurar nos lustres e os pais nada fazem, encheu elas de guloseimas e nos parabenizou, disse que não existe mais educação e que os pais ausentes se tornam relapsos pela ausência e as crianças não obedecem e fazem tudo que querem. Pronto, eu particularmente fui ao céu!  Minhas filhas fazem bagunça, tem televisão no quarto, comem porcarias, mas tem responsabilidades e limites, são crianças e vivem essa fase, que é a melhor da vida!

Agora quero abordar algo que acredito que a maioria dos pais jamais parou prá pensar: A mudança repentina e drástica dos seus filhos… alguém já se colocou no lugar do seu filho? Principalmente o filho que chegou por meio da adoção? Pois bem, vamos lá, vou dar o exemplo das minhas, que posso falar e não serei processada por ninguém: Uma criança com 5 anos, está abrigada desde os 3 anos de idade, não tem referencial de vida, não tem muitas regras, educação, não tem amor, de repente você começa a conversar com essa criança e quinze dias depois você vai buscar ela e sua irmã no abrigo, de uma hora prá outra ela tem que te chamar de pai e mãe, tem que te obedecer, tem que ter educação, usar o guardanapos ao invés de limpar a boquinha no vestido, tem que tomar banho e lavar os cabelos todos os dias, tem que pedir por favor e com licença, dizer muito obrigada, três dias depois pegam um avião e viajam oito horas prá sua casa nova, chegando no aeroporto dão de cara com a nova irmã e de quebra tem a avó e a tia juntas. Chega numa casa estranha, aonde tudo é novo, desde a cidade até a vida delas, dois dias depois vem mais um turbilhão, umas pessoas que elas nunca viram na vida e tem que chamar de avô, tios e tias, primos e primas, padrinhos e madrinhas, amigos, amigas, cachorros, gatos… uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuui é muito prá sua cabeça? Imagina prá uma criança de 4, 5, 6, 7 anos?  Olho prá Sil e prá Ana e minha cabeça dá voltas, tem horas que cobramos tanto delas e não nos damos conta que em menos de um ano a vida delas mudou e muito! É muita coisa, muita informação nova prá elas assimilarem, a Sil sempre pergunta se vamos ao shopping Palladium ou ao Barigui, pergunta se vamos ao Condor ou outro mercado, pergunta se vamos na casa do vô Celso ou do vô Elias, se a Larissa é prima ou amiga delas porque ela adora a Lari… Então é nesse ponto que quero chegar, se prá nós, adultos e cientes dos nossos atos e vontades, tem horas que é difícil, imagina prá uma criança? Tem como ficar mais tranquilo ou realmente precisa fazer um escândalo quando seu filho trouxer o boletim com uma nota baixa? Você, na sua idade chamaria alguém que conheceu hoje de pai e mãe? Você sairia da sua zona de conforto, seu porto seguro que é o abrigo  prá ir morar em outra cidade com pessoas até então estranhas e tudo seria perfeitamente normal? Sua cabeça não iria dar um nó? você é um ET desprovido de qualquer sentimento? não? ufaaaaaaaaaaa que alívio, você é humano e como tal tem medos e sentimentos! 

Farei muito em breve um post sobre devolução e separação de irmãos. Semana passada soubemos de uma louca que adotou não se sabe como e devolveu a criança e hoje a noite li num grupo que seria melhor separar os irmãos porque tal pessoa não tinha condições de ficar com os dois mas queria um! Absurdo e egoísta, mas fica prá outra hora. Obrigada a todos pela visita e pelo carinho…. Não esqueça que aqui se faz, aqui se paga, pode até demorar mas um dia o acerto de contas chega até você.

Mais um dia… Menos um dia…

Eitchaaaaaaaaaa que faz uma semana que não escrevo nada aqui… Então vamos aos acontecimentos. No último sábado, 17/08 teve a festa de aniversário da C. de três aninhos, também filha de uma amiga do grupo, que delícia de festa, um frio danado lá fora, mas lá dentro só amor, crianças e Fofices da Lola extremamente gostosas. O Du estava trabalhando e eu fui sozinha, a Fer me levou e depois voltei de carona com a Ellen, nem preciso dizer como passei a tarde, maravilhosa e não queria estar em outro lugar senão lá! Ontem foi aniversário de duas amigas do grupo, a Dani e a Mariana, teve bolo na casa da Dani, que por acaso mora aqui perto e nós fomos, mais uma noite deliciosa com amigos e a criançada fervendo!!! Eu já disse uma vez e torno a dizer, eu não sei o que seria sem o grupo… tenho encontrado ombros amigos, apoio, torcida, carinho e tudo mais que alguém precisa receber quando está nessa fase angustiante e esperançosa da fila da adoção. Amigos maravilhosos que largam tudo prá ajudar, se preocupam, compartilham e se doam sem querer nada em troca. Eu estou realmente agradecida e encantada com essas pessoas, são anjos que Deus colocou no meu caminho enquanto espero meus filhos! Há uma pessoa em especial que um dia eu quero conhecer pessoalmente, dar um abraço bem apertado e agradecer olhando nos olhos tudo que ela tem feito por mim e se Deus quiser não vai demorar prá nos encontrarmos, por enquanto só posso agradecer e pedir que Deus retribua em dobro tudo que ela faz, não só por mim, mas por dezenas de pessoas e dessas dezenas eu conheço algumas e posso dizer que todas são prova viva do bem que essa pessoa faz e faz por amor, só por amor.

Não tive e não tenho novidades sobre meus filhos e isso me faz hora desanimada, hora esperançosa, hora chateada, hora com raiva, explico o motivo de desanimada e com raiva: Há uma conta que não bate, não fecha, por um lado há dados de mais de 30 mil crianças abrigadas (no mínimo), por outro há dados de adotantes exigentes, mas e o lado das crianças? O lado que o judiciário leva 4 anos prá destituir uma criança? Na terça feira a noite, eu estava sozinha e assisti uma matéria em que uma menina foi retirada da mãe com 15 dias de vida, aos dois anos e meio não estava destituída ainda e o juiz a reintegrou a genitora, alguns dias depois, a menina voltou pro abrigo toda machucada, sofreu maus tratos e ainda permanece lá e sem destituição! De quem é a culpa?? Alguns casais querem apenas bebês, brancos e saudáveis sim, mas graças a Deus hoje mudou e eles são a minoria, mas se o judiciário fizer vista grossa, isso nunca vai acabar e não adianta culpar o perfil dos adotantes!!!! Existem sim, pessoas que defendem as crianças, fazem todo o possível prá dar uma família prá elas, mas existem outras que são completamente hipócritas, dizem que fazem de tudo, mas na verdade é só uma máscara, porque se defendessem as crianças realmente, estariam agindo de forma diferente!!! Não canso de ver as palestras, as entrevistas e os relatos do Dr. Sávio Bittencurt, sim ele é um promotor de justiça, pai adotivo, presidente do Quintal de Ana… um homem abençoado que luta pelas crianças, abraçou a causa e depositou nela um amor puro, um amor de pai!! Assim como ele, tem meia dúzia de pessoas assim, mas sozinhas essas pessoas não conseguem mudar as leis e o pensamento de alguns juízes, mas posso garantir que essa meia dúzia de pessoas, faz pelas crianças muito mais que muitos santinhos que estão por aí, apoiados em gente rica e famosa, amparados por políticos e os bam bam bans da sociedade! A causa CRIANÇAS EM ORFANATOS, LARES E ABRIGOS deve ser defendida por todos, deve ser questão única e prioritária nas varas de infância e seus colaboradores!! Não digo isso porque estou esperando meus filhos e depois vou esquecer, pelo contrário, e as milhares de crianças que perdem seus melhores anos abrigadas? É realmente isso que é bonito? Uma criança chegar num abrigo com dias de vida e só sair de lá com dezoito anos? Não, isso é horrível, é cruel!!! Enquanto meia dúzia de pessoas faz o que pode, as outras cruzam os braços e a hipocrisia domina!!!!!!! Enquanto minha admiração só aumenta por algumas pessoas, por outras só cresce a decepção, não estou querendo nada, não serei candidata a nada, não estou dando indiretas, não estou revoltada, simplesmente indignada e triste ao me decepcionar com algumas pessoas que prá mim eram as que mais apoiavam as crianças e em alguns momentos me espelhei nelas, mas percebi que era só fachada, blá blá blá seguido de lavagem cerebral com o intuito de beneficiar não sei o que, não descobri ainda e nem quero descobrir!!

Enfim… a semana tá acabando e lá se foi Mais um dia sem meus filhos, mas é Menos um dia sem eles!!!!!!!!!!

Última noite de curso, mais um degrau conquistado!

Hoje foi a última noite do curso, graças a Deus mais uma etapa vencida.Quero deixar duas dicas importantíssimas aqui… Primeira: Siga seu coração, converse, compartilhe seu desejo em adotar, coloque tudo na balança e tenha a certeza que você está preparado e que é isso que você e seu par querem, digo isso porque é muito lindo falar em adoção, tem todo aquele blá blá blá que é um ato de amor. Adotar uma criança, um bebê, um adolescente é um ato de amor incondicional, um amor puro e livre de preconceitos e incertezas, o verdadeiro amor! No calor da emoção, todos querem fazer bonito dizendo que aceitam crianças negras, com autismo, down, com patologias severas, dificuldades motoras, mas na realidade não é bem assim que acontece, caso contrário não haveriam tantas crianças abandonadas ou devolvidas aos abrigos. Não estou generalizando, apenas alguns casais querem apressar o processo e sair desfilando perante a sociedade com seus lindos, brancos e perfeitos filhos pelo shopping. Quando você se dispoe a adotar, você nunca vai perguntar prá um pai adotivo se ele já pensou em devolver o filho na primeira dificuldade que apareceu, você não pergunta prá assistente social se você aceitar uma criança com HIV, vai passar na frente das outras pessoas que estão na fila. Você simplesmente faz o que é preciso, arruma tudo, planeja, sonha, ama uma pessoa que você nem sabe como é e se emociona ao imaginar como será o primeiro encontro. Segunda dica: Pelo amor de Deus, se informe! Entre de cabeça no assunto, leia tudo que puder, debata, participe dos grupos de apoio, hoje em dia tudo é tão acessível que só é desinformado quem quer, devore o que puder de informações, prá depois não chegar no curso e ficar perguntando se depois que você concluir o mesmo já vai conhecer seu filho, ou então achar que porque uma amiga da vizinha da mãe da sua sogra disse que adotou em dois dias e você quer que o seu processo seja assim também, não assine atestado de alienado, não faça perguntas sem sentido… ninguém nasce sabendo, mas um pouco de informação não mata ninguém, pelo contrário! Tem tanto material autêntico na internet, livros, tantas pessoas dispostas a ajudar, tanto adotantes quanto advogados, psicólogos e assistentes sociais, portanto se você leu até aqui, sentiu aquele desejo, aquele calor no coração e está disposto a amar verdadeiramente, a se doar, a dar amor, receber amor e chamar uma criança de filho (a), corra, vá na reunião informativa da VIJ e seja feliz!!! Aposto que você ainda vai me contar sua história de amor!!