O tempo voa…

Estava olhando meus registros do face, aqueles que só nós podemos ver e me espantei ao ver como o tempo está passando cada vez mais rápido.

Em 2011 a Fer foi fazer work experience na Califórnia, eu estava achando o máximo minha filha viajar prá fora do país, ela começou a falar no começo do ano e já em seguido havia marcado prá embarcar em dezembro. O tempo foi passando e chegou dezembro e eu toda orgulhosa, eufórica com a viagem dela… eis que chega o dia do embarque, dia 8 de dezembro de 2011, ela acordou e já começou a arrumar o quarto, terminou de arrumar as malas, meu Deus, a hora que ela fechou a mala é que eu me dei conta de que eu iria ficar longe do meu neném por meses, a milhares de quilômetros de distância, um desespero tomou conta de mim e eu me escondia dela prá chorar, afinal era uma viagem que ela tinha planejado há meses. Aaah como sofri, cheirava suas roupas, abria seu perfume e ficava ali horas cafungando e chorando sozinha, passava dezoito horas conectada prá falar com ela, sou ansiosa e meio fora da casinha, então achava que ela podia me chamar a qualquer momento e eu não estar on line, coisas de mãe!! Eu não podia ver um comercial de margarina que desandava a chorar, sempre fico emotiva demais no fim de ano, mas aquele ano eu estava longe demais da minha neguinha e até se alguém fizesse careta prá mim eu chorava. O Du então, prá me animar, inventou uma viagem prá Porto de Galinhas, assim eu me ocupava planejando tudo e não ficava triste de saudade da nega, e como ele me conhece foi isso que aconteceu, passava horas procurando hotéis, fazendo roteiros e a tristeza da saudade deu lugar a euforia, então eu contava os dias prá ela chegar e tinha mais um motivo prá ficar feliz. No final de janeiro eu acho, meu pai teve mais um infarto, ele já tinha tido uns três, mas esse foi o pior, porque quando foram passar o catéter, ele teve uma parada cardiorrespiratória e ficou “fora do ar” por quase três minutos. Foram dias indo vê-lo na UTI e a incerteza se ele sairia de lá bem, graças a Deus tivemos um final feliz nesse episódio e hoje o véio tá ótimo, cheio de saúde!  Em abril de 2012 fizemos nossa primeira viagem de férias, ficamos sete dias entre Porto de Galinhas, Recife e Olinda, foi um paraíso, minha vontade era e é de ficar lá. Passada a viagem, a Fer em casa e a vida seguiu seu curso normal. Depois tivemos notícias que minha kunhada estava grávida e minha amiga Mônica também, as duas com diferença de um mês. Chegou mais um Natal e a correria de final de ano e eu jamais iria imaginar que eu estaria no ano de 2013 grávida do coração e de duas crianças!!! Em janeiro recebi o melhor pedido de toda minha vida, mesmo porque o melhor pedido da vida de uma mulher é o de casamento, mas prá mim não  porque eu pedi o Du em casamento, hahahahaha. Enfim, desde o dia 31 de janeiro até aqui, muito tempo se passou e nós já estamos habilitados e esperando nossos filhos. Olhando os grupos de adoção que faço parte, consta que sou membro há seis meses, que loucuraaaa, seis meses passaram voando e nesse tempo eu chorei, sorri, fiz novas amizades, participei das festinhas de aniversários dos filhos das minhas amigas, fiz esse blog, sofri com a doença da minha filha de quatro patas, nossa tantas coisas feitas em tão pouco tempo, mas uma eternidade na espera das crianças. Hoje estou mais esperançosa que ontem, sei que minha hora está mais próxima e que logo minha vida tomará um rumo completamente diferente do que imaginei nessa mesma época ano passado. Agora já planejo nossa vida com mais duas pessoinhas, penso em como fazer e o dia que elas chegarem, faço planos para o Natal, uma grande festa com as famílias, o Du vestido de Papai Noel, os presentes…Em seis meses o quartinho da bagunça deu lugar a um quarto novo, branquinho, com cortinas e cheirinho gostoso de tudo novo, mas hoje quase não entro lá tanto quanto há duas semanas, antes eu ficava lá olhando e imaginando eles ali, hoje eu procuro não entrar, pois tá arrumadinho e silencioso demais e me dá um aperto no coração lembrar que eles estão em algum lugar, dividindo camas e roupas, dormindo sabe Deus como, longe de nós. Mas o tempo voa e eu sei que logo estarei aqui, contando sobre eles!!!

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Triste? Chata? Mau humorada? Deprimida?

Essa semana tá complicada…tô chata, deprimida, mau humorada… só queria entrar num buraco bem escuro e ali ficar, quieta. Acho que pela primeira vez, desde janeiro estou com tudo á flor da pele, foram dias de correria, entrevistas, curso, palestras e agora tudo veio á tona! Talvez eu esteja assim porque esperava algo que não aconteceu, talvez seja porque a Fer minha companheira de tudo, tá trabalhando e não tem mais tempo prá mim, talvez seja porque eu quero comprar tudo e não posso, talvez seja porque eu tenho ficado muito em casa e consequentemente no face e nos grupos, talvez seja porque o Du e eu não estejamos em sintonia, talvez seja porque eu espero demais das pessoas e me decepciono, ou talvez seja simplesmente tudo isso junto, misturado com a frescurite da gravidez. Sim, eu estou grávida do coração, fato que não é menos importante que uma gravidez “de barriga”. Só vou me referir desse modo enquanto meus filhos não chegam, porque ainda existem pessoas alienadas que fazem questão de diferenciar isso, mas quando eles chegarem, serão meus filhos e quem me perguntar quantos filhos tenho, ouvirá que tenho três filhos, JAMAIS vão me ouvir dizer que tenho uma filha “legítima” e dois adotados!!!  Digo isso porque o preconceito gira em torno de hereditariedade, laços de sangue… tem uma pessoa nos meus contatos, que toda semana posta uma mensagem prá suas amigas que estão grávidas “de barriga”, mas nunca incluiu meu nome… ok, minha gravidez não precisa de paparicos de gente preconceituosa. Outro fato que há tempos me incomoda são os famosos tapinhas nas costas, seguidos das frases: Nossa, que atitude maravilhosa, Que boa ação vocês estão fazendo, Tenho orgulho de vocês, Que coragem adotar duas crianças, Vocês são loucos por querer uma criança mais velha, Ah porque não um recém nascido?

Não mereço tapinha nas costas, não sou louca e não quero um recém nascido!! Tenha orgulho de mim, por eu ser uma pessoa honesta, por não matar, não roubar, por viver dentro da lei e de alguns ensinamentos da Bíblia, sim alguns, pois não frequento igreja, então não sigo todos, fofoco e falo mal de quem não gosto, não sou perfeita, muito menos santa, tenha orgulho de mim por não te mandar prá lá… aquele lugar bem nojento, com sua frase pré pronta de preconceito e compaixão!!! Não preciso justificar porque não quero um recém nascido e nem porque compramos um berço, mas aí vai… compramos o berço porque é um berço um pouco maior e vira mini cama, tenho sobrinhos que passam as férias comigo, como iria comprar duas camas e deixar meus sobrinhos de lado? Pronto, simples assim!! Quero ser mãe de novo, e prá tal fato não preciso que um bebê seja gerado dentro de mim, não preciso carregá-lo meses na barriga, não precisa ele ter meus traços e nem do Du, não queremos hereditariedade, pois nossa genética nem é tão boa assim, há alguns fatores que me incomodam, tanto do meu lado quanto do dele. Se quiséssemos genética, teríamos feito FIV ou IA, mas optamos pelo modo mais simples, aconchegar uma criança crescida, receber o amor que ela tem prá dar e dar o amor que ela precisa e que temos de sobra!! Por mim, seria mãe de uma criança especial, mãe é mãe e não importa se seu filho é “perfeitamente saudável” ou tem alguma patologia, mas o Du disse que não tá preparado ainda e eu respeito, quem sabe mais prá frente, Deus nos presenteia com um anjinho especial!!! Ouvi algumas vezes que quem sabe agora eu engravido… NÃO, eu não vou e nem quero engravidar “de barriga”, já estou grávida e prá quem não sabe, tomo ininterruptamente pílula, nem menstruo mais, como se por milagre de Deus isso acontecesse, eu deixasse de adotar, NUNCA!!!

O maior exemplo de que não precisamos de laços de sangue prá amar é que EU tenho apenas um sobrinho “de sangue”, filho do meu irmão Júnior, hoje ele tem dezoito anos e quando ele tinha três ou quatro anos, os pais se separaram e por ignorância da mãe dele, ela nos proibia de vê-lo, eu IDIOTA prá não causar brigas, obedecia e meu sobrinho nunca me chamou de TIA, faz uns dez anos que não o vejo, não temos contato, morávamos no mesmo bairro, hoje tenho ele no face, mas ele nunca retribuiu uma mensagem minha, nunca teve amor por mim. Já por parte do Du, tenho 3 sobrinhos, filhos dos irmãos dele. A Nanda entrou na minha vida quando ela tinha seis anos, hoje tá uma moça linda, com dezessete anos e eu amo essa guria, eu sabia que a amava, mas não tanto quando ela fugiu de casa no ano passado, foram duas horas sem notícias dela, eu desesperada andando pela casa chorando e sem saber o que fazer, o que ela fez? A vó brigou com ela e ela arrumou as malas prá vir morar aqui!! O João Victor tem nove anos, é meu rei, passa dias aqui comigo, fazemos campeonato de arroto e inventamos musiquinhas nojentas, cheias de palavrões, eu faço tudo que ele quer e ainda invento arte prá depois ele perturbar a mãe dele, amo esse menino tanto, que dói de saudade quando fico muito tempo sem vê-lo! E agora chegou a Julia, ela tá com quatro meses, é irmã do João e já era amada na barriga da mãe, não vejo a hora dela crescer e vir passar as férias aqui em casa!

Engraçado não? Só me realizei como tia, por intermédio dos sobrinhos do meu marido… preciso explicar mais???? 

Enfim, não sou uma divindade, falo palavrão, arroto, falo mal das pessoas, tem dias que não limpo minha casa, tem dias que tenho preguiça de cozinhar e pedimos pizza, eu brigo, eu falo o que me incomoda, portanto não tenho vocação prá santa e nem quero ter, apenas quero ser normal, quero ser mãe… Não preciso de ninguém questionando nossas escolhas, nos endeusando, nos glorificando, nos olhando de cara feia… Nossos filhos serão NOSSOS FILHOS E EU JAMAIS VOU ADMITIR PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO! Independente da cor, idade, de onde venham! O QUE TRANSFORMA UMA MULHER EM MÃE NÃO ESTÁ NO SANGUE… ESTÁ NO CORAÇÃO!!!!!