Adoção e Sociedade. Sávio Bittencourt.

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Falar sobre a adoção em família e sociedade é essencial para se vencer a ideia de que a filiação biológica é superior a adotiva. Esta impressão é sub-repticiamente lançada por expressões comuns e aparentemente inofensivas.

“Quantos filhos são seus mesmo?”
“Este é seu filho mesmo ou adotado?”
“Este é o que você está criando?”.

Sei que as pessoas não fazem por mal, mas exteriorizam uma visão preconceituosa da adoção quando agem assim. TODOS os filhos são nossos, em afeto, em amor, em construção de nossa biografia em conjunto. Todos os filhos, biológicos ou adotivos, são criados por nós. Nosso cuidado, exercido no dia a dia, é que nos legitima como pais. A ausência desse cuidado é extremamente prejudicial a filhos, biológicos ou adotivos. Temos que criá-los todos.

O pai adotivo deve conviver amavelmente com estes inocentes preconceitos, com coragem de simplesmente negá-los, com um sorriso confiante de quem sabe que a adoção gera um amor tão profundo que dele não se pode falar sem emoção, sem palpitação.

Todo filho é “de verdade” quando você o ama intensamente; todo filho é ‘seu mesmo’ quando você é honesto com ele; todo filho é ‘de criação’ quando você lhe dá prioridade.

Sávio Bittencourt.

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Triste? Chata? Mau humorada? Deprimida?

Essa semana tá complicada…tô chata, deprimida, mau humorada… só queria entrar num buraco bem escuro e ali ficar, quieta. Acho que pela primeira vez, desde janeiro estou com tudo á flor da pele, foram dias de correria, entrevistas, curso, palestras e agora tudo veio á tona! Talvez eu esteja assim porque esperava algo que não aconteceu, talvez seja porque a Fer minha companheira de tudo, tá trabalhando e não tem mais tempo prá mim, talvez seja porque eu quero comprar tudo e não posso, talvez seja porque eu tenho ficado muito em casa e consequentemente no face e nos grupos, talvez seja porque o Du e eu não estejamos em sintonia, talvez seja porque eu espero demais das pessoas e me decepciono, ou talvez seja simplesmente tudo isso junto, misturado com a frescurite da gravidez. Sim, eu estou grávida do coração, fato que não é menos importante que uma gravidez “de barriga”. Só vou me referir desse modo enquanto meus filhos não chegam, porque ainda existem pessoas alienadas que fazem questão de diferenciar isso, mas quando eles chegarem, serão meus filhos e quem me perguntar quantos filhos tenho, ouvirá que tenho três filhos, JAMAIS vão me ouvir dizer que tenho uma filha “legítima” e dois adotados!!!  Digo isso porque o preconceito gira em torno de hereditariedade, laços de sangue… tem uma pessoa nos meus contatos, que toda semana posta uma mensagem prá suas amigas que estão grávidas “de barriga”, mas nunca incluiu meu nome… ok, minha gravidez não precisa de paparicos de gente preconceituosa. Outro fato que há tempos me incomoda são os famosos tapinhas nas costas, seguidos das frases: Nossa, que atitude maravilhosa, Que boa ação vocês estão fazendo, Tenho orgulho de vocês, Que coragem adotar duas crianças, Vocês são loucos por querer uma criança mais velha, Ah porque não um recém nascido?

Não mereço tapinha nas costas, não sou louca e não quero um recém nascido!! Tenha orgulho de mim, por eu ser uma pessoa honesta, por não matar, não roubar, por viver dentro da lei e de alguns ensinamentos da Bíblia, sim alguns, pois não frequento igreja, então não sigo todos, fofoco e falo mal de quem não gosto, não sou perfeita, muito menos santa, tenha orgulho de mim por não te mandar prá lá… aquele lugar bem nojento, com sua frase pré pronta de preconceito e compaixão!!! Não preciso justificar porque não quero um recém nascido e nem porque compramos um berço, mas aí vai… compramos o berço porque é um berço um pouco maior e vira mini cama, tenho sobrinhos que passam as férias comigo, como iria comprar duas camas e deixar meus sobrinhos de lado? Pronto, simples assim!! Quero ser mãe de novo, e prá tal fato não preciso que um bebê seja gerado dentro de mim, não preciso carregá-lo meses na barriga, não precisa ele ter meus traços e nem do Du, não queremos hereditariedade, pois nossa genética nem é tão boa assim, há alguns fatores que me incomodam, tanto do meu lado quanto do dele. Se quiséssemos genética, teríamos feito FIV ou IA, mas optamos pelo modo mais simples, aconchegar uma criança crescida, receber o amor que ela tem prá dar e dar o amor que ela precisa e que temos de sobra!! Por mim, seria mãe de uma criança especial, mãe é mãe e não importa se seu filho é “perfeitamente saudável” ou tem alguma patologia, mas o Du disse que não tá preparado ainda e eu respeito, quem sabe mais prá frente, Deus nos presenteia com um anjinho especial!!! Ouvi algumas vezes que quem sabe agora eu engravido… NÃO, eu não vou e nem quero engravidar “de barriga”, já estou grávida e prá quem não sabe, tomo ininterruptamente pílula, nem menstruo mais, como se por milagre de Deus isso acontecesse, eu deixasse de adotar, NUNCA!!!

O maior exemplo de que não precisamos de laços de sangue prá amar é que EU tenho apenas um sobrinho “de sangue”, filho do meu irmão Júnior, hoje ele tem dezoito anos e quando ele tinha três ou quatro anos, os pais se separaram e por ignorância da mãe dele, ela nos proibia de vê-lo, eu IDIOTA prá não causar brigas, obedecia e meu sobrinho nunca me chamou de TIA, faz uns dez anos que não o vejo, não temos contato, morávamos no mesmo bairro, hoje tenho ele no face, mas ele nunca retribuiu uma mensagem minha, nunca teve amor por mim. Já por parte do Du, tenho 3 sobrinhos, filhos dos irmãos dele. A Nanda entrou na minha vida quando ela tinha seis anos, hoje tá uma moça linda, com dezessete anos e eu amo essa guria, eu sabia que a amava, mas não tanto quando ela fugiu de casa no ano passado, foram duas horas sem notícias dela, eu desesperada andando pela casa chorando e sem saber o que fazer, o que ela fez? A vó brigou com ela e ela arrumou as malas prá vir morar aqui!! O João Victor tem nove anos, é meu rei, passa dias aqui comigo, fazemos campeonato de arroto e inventamos musiquinhas nojentas, cheias de palavrões, eu faço tudo que ele quer e ainda invento arte prá depois ele perturbar a mãe dele, amo esse menino tanto, que dói de saudade quando fico muito tempo sem vê-lo! E agora chegou a Julia, ela tá com quatro meses, é irmã do João e já era amada na barriga da mãe, não vejo a hora dela crescer e vir passar as férias aqui em casa!

Engraçado não? Só me realizei como tia, por intermédio dos sobrinhos do meu marido… preciso explicar mais???? 

Enfim, não sou uma divindade, falo palavrão, arroto, falo mal das pessoas, tem dias que não limpo minha casa, tem dias que tenho preguiça de cozinhar e pedimos pizza, eu brigo, eu falo o que me incomoda, portanto não tenho vocação prá santa e nem quero ter, apenas quero ser normal, quero ser mãe… Não preciso de ninguém questionando nossas escolhas, nos endeusando, nos glorificando, nos olhando de cara feia… Nossos filhos serão NOSSOS FILHOS E EU JAMAIS VOU ADMITIR PRECONCEITO, DISCRIMINAÇÃO! Independente da cor, idade, de onde venham! O QUE TRANSFORMA UMA MULHER EM MÃE NÃO ESTÁ NO SANGUE… ESTÁ NO CORAÇÃO!!!!!