Arrumando os documentos.

Passado o carnaval, imediatamente começamos a providenciar os documentos, prá dar entrada no processo o mais rápido possível. Mas o que mais achávamos que seria o mais fácil, acabou tornando-se o mais difícil: O Atestado de saúde mental, dado por um psiquiatra e com firma reconhecida. Não sei se levamos azar, ou realmente aqui em Curitiba ninguém tem boa vontade, nem por convênio, nem particular. Demoramos duas semanas prá conseguir uma psiquiatra abençoada, que fornecesse tal atestado e com firma reconhecida, isso que meu marido procurava por categoria na internet e eu ligava de um por um, uns não faziam esse tipo de atestado, outros queriam que fizéssemos algumas sessões prá depois fornecer, outros dois chegaram a cobrar quatrocentos reais por vinte minutos de conversa prá fornecer o atestado e cobraria a parte o reconhecimento de firma (no cartório pagamos sete reais cada reconhecimento de firma e o psiquiatra cobraria cinquenta reais cada). Enfim, depois de tanto telefonar, conseguimos essa psiquiatra, que cobrou cento e cinquenta reais cada consulta e segundo ela, sempre faz esse tipo de atestado, está acostumada com o processo. Depois encontro o cartão dela e faço um post com as informações prá quem quiser. Arrumamos tudo e fomos pedir as certidões negativas, pois essas levam dois dias prá ficarem prontas e o total das dez certidões (cinco de cada parte interessada) é de R$221,64. No dia de irmos buscar as certidões, eu estava positivada, ou seja tinha algo errado no meu CPF, corremos atrás e descobrimos que havia um cheque meu protestado do ano de 1996, no valor de R$ 54,00… corremos prá casa e entrei em contato com a empresa de cobrança, expliquei o motivo de urgência e o rapaz que me atendeu me enviou tudo por e-mail, paguei o tal cheque no mesmo dia, com juros e correções ficou em R$ 264,00, fazer o que… mas eu ainda precisava do cheque original, que viria de São Paulo prá dar baixa no cartório de protestos e isso levou uma semana, chegou numa sexta-feira ás 15:40 e já não tinha como eu chegar a tempo no cartório. Na segunda cedo fui e paguei R$80,00 prá dar baixa o Serasa e a moça me disse que levaria dois dias úteis prá eu pegar a certidão negativa,e se eu quisesse o cheque teria que voltar no dia seguinte e só depois ir pedir a certidão negativa no cartório do 2º ofício. Eu disse que iria precisar do cheque pq estava dando entrada em processo de adoção e isso já tinha atrasado em uma semana a entrega dos documentos, ela me olhou e disse: Se a senhora puder esperar uns quinze minutos, eu faço uma declaração e entrego o cheque, e a senhora pode ir no cartório amanhã mesmo. Nossa, eu agradeci e abençoei até a quinta geração dessa moça, era um dia que eu ganhava. A novela da documentação estava terminada, na quinta-feira, dia 14 de março de 2013, e nesse dia uma amiga de São Paulo veio passar uns dias conosco e acompanhou uma parte dessa correria.

Meu marido estava trabalhando de madrugada e quando isso acontece, ele chega em casa por volta das nove horas da manhã, mas não teve jeito, eu o acordei ás duas da tarde prá irmos enfim dar entrada no processo, dia 15 de março de 2013 entregamos a documentação no cartório distribuidor e assim começamos a subir os degraus da realização no nosso sonho!!!!!!!!

Começando hoje…

Olá, meu nome é Celmara, tenho 39 anos, sou casada há 8 e tenho uma filha de 22, moro em Curitiba e estou em busca do meu sonho, ser mãe novamente. Aqui vou contar tudo sobre a decisão mais importante da nossa vida, adotar uma criança…

Desde que vi meu marido pela primeira vez, já sabia que era ele o meu grande e verdadeiro amor. Começamos a namorar num sábado de carnaval, em 02/03/2003 e eu que o pedi em namoro, com seis meses de namoro, eu comprei as alianças e o pedi em casamento, pois nosso amor foi tão imediato que já planejávamos ter filhos e eu parei de tomar anticoncepcional, alguns meses depois ele veio morar comigo e em 28/05/2005 nos casamos no civil.

Minha batalha prá engravidar, começou quando já fazia um ano que eu tinha parado de tomar a pílula e nada de neném, foi aí que tudo começou… como eu já tenho uma filha, mas tomei anticoncepcional por muito anos, decidi ir á ginecologista e contar meus planos.

Os exames iniciais deram normais, eu estava ovulando e fértil, mas isso prá mim não era o bastante… fiz duas cirurgias expiatórias, fiz indução de ovulação, tomei ácido fólico e se me falassem prá tomar chá de xixi de morcego, teria tomado e confesso que fiz zilhões de simpatias e nada, ficava histérica a cada menstruação e queria sumir da face da terra, e isso tava prejudicando minha relação com meu marido, afinal que homem aguenta uma mulher neurótica, mal humorada e briguenta? Num desses meus ataques pós menstruação tivemos uma discussão e ali ele me abriu os olhos, me fez enxergar que não estava certo, pois era tudo com hora marcada, depois do ato em si, ficar vinte minutos de bunda prá cima, não fazer xixi, não isso, não aquilo, meu psicológico ficou tão afetado que eu passei por inúmeros testes de gravidez negativos, atrasava uma semana, quinze dias, aí eu fazia o BetaHcg, dava negativo e horas depois vinha a dita menstruação!

Foi então que pedi pro meu marido ir ao urologista e contar nosso drama, era a vez dele se comprometer e fazer exames, afinal eu já tinha feito de tudo e estava perfeitamente normal.

Marcamos uma consulta prá ele e fomos, chegando lá foi tudo explicado e claro que o médico pediu um milhão de exames, entre eles o espermograma e lá foi meu marido fazer amor com um potinho, numa salinha fechada, com um bando de gente do outro lado da porta, confesso que fiquei emocionada com tal gesto, afinal não é fácil prá um homem tal exame. O resultado peguei pelo site do laboratório no dia seguinte e deu normal, mas como não sou médica, levamos ao urologista que tinha pedido e ele confirmou que estava normal e que se quiséssemos, poderia ser feito de novo, achamos melhor não e seguimos nossa vida. Alguns meses depois, nada de neném e voltamos ao urologista pedir um segundo espermograma e mais uma vez o resultado foi normal.

Enquanto eu fazia indução prá ovular, fazia vídeolaparoscopias expiatórias e tantas outras loucuras prá engravidar, se passaram cinco anos e eu engordei 30 quilos, pois cada decepção com a menstruação que chegava, eu descontava na comida e quando vi, passei do tamanho 36 para o 40, mas não tinha forças prá fazer nada e assim foi ficando. Eu já não fazia mais nada pensando na possibilidade de estar grávida, não saía mais com os amigos prá tomar uma cerveja pq poderia estar grávida, não fazia dieta prá emagrecer ou fazia exercícios pq poderia estar grávida, meu mundo girava em torno de ser mãe de novo!

No final de outubro de 2010, minha filha chegou e me disse: Nossa mãe, como tua barriga tá estranha, vc não tá grávida? e eu respondi que na semana anterior eu estava menstruada e ela me contou de casos que mulherem menstruam mesmo grávidas e eu fiquei com aquilo na cabeça. Fomos na minha sogra e comentei com ela e ela me contou que quando ela estava grávida do meu marido, ela menstruou até os três meses de gestação. Passando a mão pela minha barriga, notamos uma bolinha no lado direito, era algo firme e do tamanho de uma bolinha de tênis, claro que já comecei a fantasiar e chamar a bolinha de meu neném, como era domingo de eleição, resolvemos ir até a emergência do pronto socorro apenas prá confirmar ou não se eu estava grávida, chegando lá eu relatei que estava com dor abdominal e logo fui atendida, o médico de plantão me examinou e disse que pelo volume, eu estava grávida de 5 semanas e mesmo menstruando tinha essa possibilidade, fiz um Beta e mais um negativo, mas ele disse que poderia ser alteração hormonal de começo de gravidez e que poderia dar negativo mesmo assim, que era prá eu esperar mais uma semana e fazer outro exame.

Durante a semana que passou, marquei consulta com minha ginecologista e ela ficou toda feliz quando eu contei e mostrei a minha bolinha, ela rapidamente me examinou e não conseguiu ouvir nenhum coraçãozinho batendo ali, fez uma cara de decepção mas não me animou e nem me iludiu, falou que eu precisava fazer uma ecografia transvaginal prá saber se era um bebê ou um cisto, mas que eu tinha que fazer logo, consegui marcar a eco prá dois dias depois da consulta e pela última vez eu recebi um negativo e chorei por naõ estar grávida. A eco mostrou um cisto do tamanho de uma gravidez de cinco semanas e eu teria que fazer uma cirurgia o quanto antes, pq o cisto poderia romper e seria uma emergência. No dia 02 de dezembro me internei prá fazer a tal cirurgia e correu tudo bem, saí no outro dia e fiquei 15 dias de repouso absoluto e nas consultas pós cirurgia, minha ginecologista me aconselhou a tomar comprimido ininterruptamente, pois nos próximos seis meses eu não poderia sequer pensar em engravidar, pois bebê e eu correríamos risco de vida e segundo ela, quando não pode, aí é que as coisas acontecem. Comecei a tomar Cerazette e adorei a idéia de não menstruar mais, meus ciclos sempre foram um horror e se eu não engravido, prá que menstruar? Conversei com meu marido e ele me apoiou, disse que chega de sofrer tentando engravidar, foram oito anos de dor, choro, resultados negativos, cobrança de todos… e foi aí que decidimos não mais querer engravidar, há dois anos levamos nossa vida normal, saímos, nos divertimos e avisamos á todos que Deus não nos mandou um filho, que agora vamos viver e ser felizes, sem cobranças ou culpas.